terça-feira, 9 de junho de 2020

Camilo aprofunda diferenças com PT e sobe tom contra Bolsonaro

8 de junho de 2020, O governador do estado do Ceara, Camilo Santana, da entrevista ao programa Roda Viva, da TV cultura. (Foto Reprodução/Youtube)
8 de junho de 2020, O governador do estado do Ceara, Camilo Santana, da entrevista ao programa Roda Viva, da TV cultura. (Foto Reprodução/Youtube)
O governador do Ceará Camilo Santana intensificou divergências em relação ao PT, ao qual é filiado, na noite de ontem. Remotamente, ao centro do Roda Viva, da TV Cultura, ele afirmou que o ex-presidente Lula está "equivocado" ao ser contra a construção de coalizão entre legendas de diversos campos ideológicos contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Camilo também avaliou que "remédio para governo ruim" é pressão popular, com a conclusão de que, por ora, o impeachment não é a melhor saída. O PT é um dos que pleiteiam a abertura de um processo de deposição do presidente na Câmara dos Deputados, presidida por Rodrigo Maia (DEM-RJ), a quem cabe decidir ou não pelo andamento da matéria. Um dos argumentos petistas é o de enxergar no militar reformado uma ameaça à normalidade institucional.

O entendimento de Camilo é de que, embora a democracia seja sólida e ainda não esteja em situação de risco, é necessária a união de forças democráticas para o enrobustecimento de força contrária ao presidente e à plataforma por ele apresentada até aqui, sobretudo na condução da crise da pandemia. "Inclusive, acho que o ex-presidente Lula está equivocado com essa postura (de ser refratário à construção). É momento para todos que acreditamos na democracia nos unirmos, deixar (eleições de) 2022 de lado."

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT), aliado e um dos padrinhos políticos de Camilo, esteve acompanhado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e da ex-ministra Marina Silva (Rede) em entrevista na GloboNews, na qual a possibilidade de uma costura política contra o presidente também foi colocada em pauta pela jornalista Miriam Leitão. Ciro já disse que não participa mais de qualquer composição que envolva a cúpula do PT, sobretudo o ex-presidente Lula.
Sobre o clima de desavença entre os dois principais aliados, o petista e o pedetista, Camilo afirmou que o correligionário foi o melhor presidente que o País já teve desde a redemocratização do Brasil (1988), ao que Ciro foi elogiado como uma das principais inteligências brasileiras. "O que eu puder fazer para uni-los, farei."


O braço local deste impasse é a construção de uma aliança eleitoral que abrigue PDT e PT na corrida à Prefeitura de Fortaleza. Luizianne Lins é pré-candidata petista, mas de perfil diferente do de Camilo, ou seja, opositora de Ciro e Cid. O governador exonerou um de seus secretários, o petista Nelson Martins, para que quando as conversas sobre a sucessão de Roberto Cláudio (PDT) se intensificaram o grupo político possa ver nele uma possibilidade de entendimento entre PDT e PT. "Eu sou um otimista, acredito que sempre será possível."

O tom do petista foi elevado em relação ao comumente visto em suas falas quando o tema foi a gestão Bolsonaro. O governador cearense classificou como "impressionante", no aspecto negativo, o fechamento dos números referentes à pandemia do coronavírus que se alastra pelo País.
"Olha, eu acho que remédio para governo ruim é pressão popular. Impeachment é o extremo e precisa ter motivos legais, como diz a Constituição. No momento, é pressão popular, e temos eleições daqui a dois anos e meio. É muito ruim impeachment para o Brasil", ele respondeu.


Questionado pelo jornalista Érico Firmo, do O POVO, sobre o uso desproporcional da força policial contra manifestantes pela democracia e contra Bolsonaro, Camilo respondeu não ter visto imagens que atestem o excesso dos militares. Apesar das detenções, não foram verificadas repressões ostensivas nas manifestações bolsonaristas que pediam abertamente o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Primeiramente, Érico, é lembrar que o Estado está sob decreto do governador que proíbe aglomerações. Antes disse que não permitiria, como não tenho permitido, outras manifestações porque estamos numa pandemia”, respondeu Camilo.
8 de junho de 2020, O governador do estado do Ceara, Camilo Santana, da entrevista ao programa Roda Viva, da tv cultura. Em destaque o jornalista do O POVO, Erico Firmo. (Foto Reprodução/Youtube)
Foto: Reprodução
8 de junho de 2020, O governador do estado do Ceara, Camilo Santana, da entrevista ao programa Roda Viva, da tv cultura. Em destaque o jornalista do O POVO, Erico Firmo. (Foto Reprodução/Youtube)
Na linha do que alegou em nota no último domingo, 7, disse que sempre apoiará atos em defesa das instituições e do Estado de Direito. “Mas nesse momento vamos nos manifestar pelas redes sociais e evitar aglomeração”, sugeriu, pontuando que “não vi nas imagens nenhum confronto, lembrando que você é cearense e sabe que temos uma Comissão (Controladoria Geral de Disciplina) para apurar qualquer abuso de profissionais de segurança.”

Entrelinhas

O governador do Ceará falou mais de uma vez da necessidade de unir PT e PDT em redor de um "projeto nacional", de modo a superar desigualdades que ainda assolam o País, por exemplo. É como o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) intitula a plataforma desenvolvimentista apresentada por ele em 2018, na campanha presidencial, que também deverá ser o mote da campanha de 2022. A polarização instaurada no País, segundo ele, não ajuda em nada, o que alavancará o Brasil é a aposta em um "projeto nacional."


O pOVO 

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