quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Surtos de Covid-19 em agências geram temor entre bancários

 









 Sindicato dos Bancários afirma que, pelo menos 13 casos de Covid-19, foram registrados em bancos públicos da Grande Fortaleza na última semana (Foto: Aurelio Alves/O POVO) (Foto: Aurelio Alves)
Sindicato dos Bancários afirma que, pelo menos 13 casos de Covid-19, foram registrados em bancos públicos da Grande Fortaleza na última semana (Foto: Aurelio Alves/O POVO) (Foto: Aurelio Alves)

Imagine que você trabalha em uma empresa com 22 pessoas e oito delas se infectem com o novo coronavírus. Foi exatamente o que aconteceu em uma agência da Caixa Econômica localizada em Caucaia, uma das nove a atender o município de 360 mil habitantes. Já em Fortaleza, uma agência do Banco do Brasil, localizada na avenida Bezerra de Menezes, registrou cinco casos de Covid-19 entre seus 19 funcionários.

Os dois surtos foram registrados ao longo dos últimos sete dias e reacendeu a preocupação da categoria, que presta serviço considerado essencial à população durante a pandemia. De acordo com o presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará, Carlos Eduardo, os focos de contágio coincidem com o aumento de casos registrados no Estado e no País em 2021, mas tem como agravante o fato de os bancos serem, naturalmente, pontos passíveis de gerar aglomerações. Esse temor se agrava com a iminência do retorno dos pagamentos de algum tipo de auxílio-emergencial, em análise no Congresso Nacional.



Carlos Eduardo estima que até 15 milhões de pessoas devem procurar agências bancárias em todo o País, somente na primeira semana de um provável retorno do auxílio-emergencial. Ele acrescenta que “ao resguardar os bancários, vigilantes e as pessoas que trabalham dentro do ambiente bancário, a gente também venha resguardar as pessoas que têm a necessidade e precisam se deslocar para receber um auxílio-emergencial ou de fazer um pagamento e não se contaminar nesse processo, nem contaminar outras pessoas”.


“No momento em que as pessoas procuram desesperadamente por políticas públicas de assistência, a gente verifica que os bancos continuarão sendo focos de possíveis aglomerações. A negociação do sindicato com os bancos permite estabelecer protocolos e cobrá-los sobre o que acontece até a porta das agências. Da porta para fora, a gente ainda observa muitas filas e temos cobrado do poder público medidas para minimizar o problema”, afirma.

Embora pontue que na maioria das agências esteja sendo cumpridas medidas de combate à pandemia, o dirigente sindical lamenta que “nem todos os bancos têm dado uma resposta boa". "Quando temos problemas como esses, o sindicato disponibiliza um canal de denúncias, onde o bancário pode dizer que tem alguém contaminado na sua agência, por exemplo”. A ferramenta teria permitido, segundo Carlos Eduardo, identificar, ainda, seis casos de contaminação pelo novo coronavírus em diferentes agências de um banco da rede privada em Fortaleza.

“Lá existe um protocolo estabelecendo que o salão de atendimento pode ter até 10 pessoas por vez, em um espaço físico de 30m². Já num espaço em que tem só 10m², ele pode ter 4 pessoas por vez. A gente vai fazer um levantamento para ver se tal protocolo está sendo cumprido ou se há um arrefecimento no cumprimento dos protocolos internos de prevenção à Covid-19”, disse o sindicalista.

Estratégias diferenciadas

 

Procurada para comentar os surtos registrados e a preocupação com novas aglomerações, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) respondeu por meio de sua assessoria que “desde março, quando a pandemia chegou ao Brasil, os bancos criaram duas mesas de negociação nacional permanente sobre Covid-19 em conjunto com as mais de duzentas entidades sindicais que representam os 450 mil bancários do país”.

Ainda segundo a Febraban, cerca de 230 mil bancários entraram no sistema home office (ou teletrabalho), o que representa pouco mais da metade do total de trabalhadores da categoria. A entidade explicou também que “cada banco tem adotado estratégias próprias para organizar as filas dentro e fora das agências de acordo com as características dos postos de atendimento com objetivo de evitar aglomerações”.

A entidade acrescenta que “entre as medidas adotadas, estão as marcações nas calçadas das agências bancárias com no mínimo 1,5m de distância para as pessoas se posicionarem e a coordenação de ações com as autoridades locais, incluindo o acionamento das forças públicas de segurança. Além disso, as instituições bancárias disponibilizaram a testagem para 100% dos seus empregados, para a realização conforme a ocorrência dos sintomas”.

NÚMEROS DO SETOR NO CEARÁ 

8 mil bancários
550 agências no Estado
180 agências em Fortaleza

Fonte: Sindicato dos Bancários do Ceará 

  o Povo 

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