quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Governadores pressionam Ministério da Saúde por vacina

 








                          


Chegou a hora. Não é mais possível adiar a conversa olho no olho. O Brasil precisa resolver a compra da vacina. Trecho da mensagem enviada ao ministro Pazuello pelos governadores, convidando o ministro para uma reunião nesta quarta-feira de Cinzas. De um ano em que o Coronavirus estragou com a folia, matando quase sete mil brasileiros no período de carnaval.

Pressionados por prefeitos, entidades de classe e movimentos sociais, os governadores estão chegando à exaustão. Ou seja, não conseguem mais responder às demandas por UTI e a cobrança pública pela vacina. O sistema de saúde colapsou, não consegue atender à onda de casos de contaminação por conta da pandemia de Covid-19.  Parece ter chegado a hora de sentar, jogar os problemas  na mesa e partir para a única solução: comprar a vacina. Nos últimos meses, o ministro Pazuello tem feito papel de irrelevância sobre a questão da vacina no combate efetivo ao coronavírus. 

De forma vergonhosa, o Brasil adquiriu pouco mais de 12 milhões de doses, das 420 milhões necessárias para imunizar o país. Quase toda a vacina usada, até agora, partiu do Instituto Butantan, em iniciativa planejada do governo de São Paulo. O Ministério da Saúde, praticamente, não comprou uma só dose. Os relatórios sobre aquisições de vacinas são lamentáveis.  

Nessa investida junto ao Ministério da Saúde, para compra da vacina, com urgência máxima, os governadores parecem ter conquistado apoio em outros poderes da República. No Supremo Tribunal Federal e no Congresso Nacional o caminho se abriu. 

Do Palácio do Planalto, os governadores só têm ouvido hostilidades. Em dois momentos, Bolsonaro foi duro com os governantes. “A população precisa cobrar dos governadores a vacina, eles têm dinheiro para comprar. Porque só eu tenho que comprar?”, disparou. Em outro momento, o presidente voltou ao ataque, pressionado pelo Auxílio Emergencial. “Os governadores poderiam pagar, eles podem, não fizeram nada pelos 60 milhões de atingidos pelo fechamento da economia”, declarou. O silêncio dos governadores sobre os ataques irrita Bolsonaro. 

No caixa do Ministério da Saúde, dormem cerca de R$ 20 bilhões, liberados pelo Congresso Nacional, através de decreto emergencial. Pazuello não fez uso dos recursos, os governadores querem que o ministro compre vacinas e parta para a imunização em massa, o quanto antes. Será impossível segurar o crescimento de casos, sem imunizar a população. 

Além decisão de comprar vacina, vale ressaltar o gesto dos brasileiros, ao negar o carnaval, em apoio à campanha para evitar a contaminação em massa, no momento que o vírus se apresentar com alto grau de transmissibilidade, ameaçando principalmente os vulneráveis. Essa população não merece tamanho desdém de um ministro da Saúde, que se diverte no cargo, atendendo a caprichos do seu chefe, que enxerga adversários em todos os fatos adversos, inclusive, sanitários. É o caso da Covid 19, doença não inventada por brasileiros, mas que nos foi trazida por irmãos nossos do exterior. Não devemos odiar doenças ou não socorrer a população, por capricho ou opinião sobre qual protocolo deve ser usado para cuidar de uma doença. 

Talvez, o encontro desta quarta-feira possa sacudir a Nação, fazer despertar que não é mais possível tamanha passividade, com um ministro da Saúde que não tem autonomia para tomar decisões, impedido de seguir a lógica da urgência. No serviço público, não cabem ditaduras, armaduras, muito menos obediência à ordem de andar para trás. Pazuello poderá sofrer o pior dos momentos da vida de um homem que escolheu o Exército para servir, com o povo na rua, tirando-lhe a honra da farda e pedindo sua saída, por negar o único remédio que pode salvar a Pátria. 


      Jornalista Roberto Moreira 

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