O senador Cid Gomes, líder do PDT e das minorias no Senado da República , comanda, também, um bloco de partidos, que se articula há dois anos, para enfrentar as manobras da direita no sentido de propor o retrocesso político e o chamado “negacionismo”. Como a rejeição à compra da vacina e à equipagem de hospitais, a criação de dificuldades para prolongamento do Auxílio Emergencial e o combater a pautas que julgam contra a Constituição. 

Com a experiência de deputado, ex-prefeito, ex-governador, ex-ministro e, agora, no exercício do mandato de senador da República, Cid Gomes está iniciando uma nova estratégia política no enfrentamento das manobras do presidente Bolsonaro no Congresso Nacional. Ele está convicto de que a eleição do deputado Arthur Lira fez recrudescer uma minoria, que “vai comer a carne e, quando chegar no osso, abandona Bolsonaro, por conta do desgaste do governo”. 

Segundo Cid, essa minoria liderada por Lira vai fugir após se lambuzar nas prateleiras dos ministérios e, quando observar o cenário negativo no ano que vem, vai pular fora. O senador avalia que a sociedade não suportará esse governo, que não tem projeto, planos, metas e respeito ao cidadão comum e aos brasileiros. 

O cearense, que lidera nacionalmente o PDT no debate no Congresso Nacional, é contrário ao impeachment de Bolsonaro. Segundo ele, “a democracia botou, a democracia retira, corrigindo o erro, através do voto”. Para Cid, uma elite reduzida pensa o tempo inteiro em impeachment, o que é ilusão. “O voto é o melhor remédio, não deixa dúvida”, esclarece. 

“O Bolsonaro é esperto, não rasga dinheiro e não corre na frente do trem”, diz Cid sobre o comportamento politico do presidente. Para o senador, o oportunismo tem levado o Bolsonaro às surpresas incríveis, como sua própria eleição. A facada lhe garantiu a vitória. Outros fatores contribuíram, como a decepção com o PT e a destruição da reputação da classe política, com a Lava Jato, agora, sepultada pelos que se elegeram agarrados nas decisões de Sérgio Moro. 

O cenário político de 2021 deve ser testado todas as semanas. Serão embates fortes. Teremos pautas populistas e amargas. A dosagem será pautada por Bolsonaro. A sua aceitação depende da entrega de cargos, recursos e ministérios. Com o pessoal do centrão, não existem votações agradáveis ou não. Existem acordos e entregas. A oposição deverá atuar como antídoto. O ano promete. 

Não se pode negar que o Brasil precisa debater seus problemas. É necessário o encontro de pensamentos para reconstruir um país que estagnou. Para a classe política, não existe segurança se isso acontecerá nesse governo. Os liberais parecem não ter convicção, as bolsas sinalizam oscilando, como se não acreditassem. 

Em março, entram em campo os personagens, os principais atores, os pré-candidatos à presidência da República. Sem dúvida, terão peso. Poderão influir nas votações, determinando o que deve ou não ser votado. No somatório geral, todos defendem mudanças, para tornar o Brasil moderno e competitivo. O problema é saber quando a classe política irá se unir, para salvar o país, uma Nação que não consegue aumentar sua receita, apenas a despesa. 


    jORNALISTA ROBERTO MOREIRA