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quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Cid Gomes insiste no cancelamento do Enem

 

Entre os 5.523.023 inscritos nas provas impressas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), 2.842.332 não compareceram neste domingo, o que representa uma abstenção de 51,5%. No ano passado, a abstenção foi de 23,1% no primeiro dia.

Não houve aplicação de provas nos 56 municípios no Amazonas, que tinha 160.548 inscritos, e em dois municípios de Rondônia (Espigão D'Oeste e Rolim de Moura), com um total de 3.832 estudantes.

O Enem 2020, na versão impressa, que começou neste domingo, 17 - o exame tem duas datas, a próxima é dia 24/01 - está enfrentando outro teste: o de sair aprovado por ter sido realizado em pleno momento de crescimento do número de casos de coronavírus no Brasil. 

No país inteiro, surgiram movimentos para adiar a aplicação das provas. A Justiça Federal manteve o certame, adiando as provas apenas em Manaus, que atravesssa um caos, por conta da onda forte de Covid, coincidindo com a falta de oxigênio. Nada mais correto. O país inteiro está produzindo mais de mil mortos pela doença, por dia.

O Enem, pelo alto interesse do universo da educação e por ser a porta de entrada nas universidades públicas, se tornou a cereja do bolo na eterna disputa entre escolas particulares e a combalida educação pública. 

São muitas as manobras usadas para se aprovar o maior número de alunos, além dos que tentam fraudar. Muitos são os casos de estudantes que tentam utilizar meios criminosis para serem aprovados nos cursos de elite, como medicina, direito , odontologia e comunicação. 

O MEC, que bancou a defesa das datas, parece ter vencido uma barreira. Realizou a primeira etapa, garantindo a segunda no dia 24, mas a repercussão sobre contaminação poderá ser breve. Saberemos se foi um erro ou acerto aplicar as provas em tempos de testagem positiva para coronavírus em alta por toda a Nação. 

O tema Enem perdeu repercussão, por conta do início da vacinação. Um erro das autoridades. Poderemos ter uma nova onda de casos. O senador Cid Gomes, especialista em educação, acredita que o Enem precisa cumprir seu papel, oferecendo oportunidade a todos. Ele tem razão: a abstenção de 51,5% é uma demonstração clara da decisão das famílias de evitar a exposição dos filhos em aglomerações nos locais das provas. 

Nos próximos dias, o Ministério Público, deve se manifestar e a justiça avaliar se o Enem merece ou não ser cancelado


 Roberto Moreira