segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Pros é alvo da operação da Polícia Federal por suspeita de usar candidata laranja

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Mandados são cumpridos na sede do Pros (Foto: LEITOR VIA WHATSAPP)


O Pros, partido do deputado federal Capitão Wagner, foi alvo na manhã desta segunda-feira, 14, de operação da Polícia Federal no Ceará. Batizada de Spectrum 274, a ação investiga supostos desvios do Fundo Eleitoral pelo partido. Na eleição de 2018, uma candidata a deputada estadual pela sigla recebeu R$ 274 mil da verba, mas obteve apenas 47 votos.

investigação foi instaurada a pedido da Procuradoria Regional Eleitoral no Ceará após série de reportagens do O POVO de fevereiro de 2019. O POVO mostrou que a candidata Débora Ribeiro, mesmo desconhecida e sem jamais ter disputado qualquer eleição, recebeu repasse até quatro vezes maior que o de Soldado Noélio, deputado estadual eleito pela sigla.


Ao todo, a Spectrum 274 cumpriu oito mandados de busca e apreensão, incluindo ainda a sede de um partido político, um posto de gasolina e nas residências da investigada e dos proprietários das empresas envolvidas. A PF não citou o partido envolvido. Na eleição de 2018, no entanto, apenas duas candidatas tiveram 47 votos, Débora Ribeiro (Pros) e Eliane (PMN). Eliane, porém, não recebeu qualquer repasse do Fundo Eleitoral.

Nas prestações de contas à Justiça Eleitoral, Débora disse ter investido mais de 75% do valor na contratação de militantes e em material gráfico. Mesmo assim, não existem vestígios da campanha nas redes. Vários dos locais citados ou visitados pela reportagem, como um escritório de contabilidade e uma gráfica, foram alvos da operação de hoje.

A campanha possuía ainda diversos outros sinais de ser “de fachada”, sem real interesse de vitória. A gráfica citada pela campanha, por exemplo, não funcionava no endereço informado à Justiça, existindo apenas uma residência no local. Além disso, a candidatura disse ter contratado 141 pessoas, número três vezes maior que o total de votos de Débora.

Outra reportagem do O POVO mostrou também relação de Débora Ribeiro e o deputado federal Vaidon Oliveira (Pros), cunhado da candidata e até 2018 dirigente do Pros Ceará. No registro de candidatura à Justiça Eleitoral, por exemplo, a investigada declarou como e-mail o endereço deboravaidon90@hotmail.com. Além disso, pessoas que trabalharam com o parlamentar e até a irmã dele receberam repasses da campanha de Débora. A candidatura seria "laranja", usada como fachada para repasse de verba eleitoral.


 O POVO tentou entrar em contato com Capitão Wagner, Vaidon Oliveira e outros dirigentes do Pros para comentar o caso. Até o presente momento, no entanto, não houve resposta dos parlamentares. Em nota, o Pros Ceará afirmou que a definição dos critérios para envio do Fundo Eleitoral foram determinados pela direção nacional do partido, não havendo qualquer ingerência local do partido neste sentido.

O partido afirma que entregou o documento solicitado e está colaborando com a PF na investigação do caso, que apura possíveis desvios do Fundo Eleitoral através de uma suposta candidatura laranja. “O partido e seus dirigentes não compactuam com qualquer ato ilícito e aguardam a apuração plena da denúncia. Restando culpados, que sejam punidos”.

Procurado à época da reportagem, o deputado Vaidon Oliveira negou ter qualquer relação com a candidata. Segundo ele, Débora teria saído candidata em dobradinha com o ex-vereador de Fortaleza, Wellington Saboia, que tentou vaga de deputado federal mas obteve só 7,8 mil votos. "Como o candidato a federal dela não teve êxito, acredito que ela teve dificuldade". A campanha do ex-vereador nas redes, no entanto, não cita Débora Ribeiro.

Presidente do Pros no Ceará, Capitão Wagner reforçou relação entre Wellington Saboia e Débora, mas afasta responsabilidade sua na alocação de recursos para a campanha da candidata. "A definição dos valores foi feita pela Direção Nacional do partido. A gente mandou as chapas de candidato, mas esse critério é deles", diz.  

 ( O povo) 

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