quinta-feira, 11 de junho de 2020

MPF vai apurar anúncios da Secom em sites inadequados


O Ministério Público Federal (MPF) vai apurar por meio de uma investigação possíveis crimes de improbidade cometidos pela Secom. A apuração acontece a partir da veiculação de anúncios feitos pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República em sites, aplicativos de telefone celular e canais de YouTube que veiculam notícias falsas, ofertas de investimentos ilegais e aplicativos com conteúdo pornográfico.

A investigação, segundo O Globo, está em fase preliminar. Na última semana, a CPMI das Fake News divulgou um relatório, que mostra os canais pelos quais os anúncios do Governo Federal, contratados por meio da plataforma Google Adwords, foram exibidos entre 06 de junho e 13 de julho de 2019. Estes sites e aplicativos receberam mais de dois milhões de anúncios.
Segundo o jornal, o MPF vai investigar “possível improbidade administrativa decorrente da veiculação de publicidade de responsabilidade da Secom”. O MPF solicitou a relação completa dos sites, canais e aplicativos nos quais a secretaria veiculou anúncios entre 1º de janeiro de 2019 e 10 de novembro de 2019, além da cópia dos contratos entre o órgão e a plataforma Google Adwords e deu 10 dias para que o chefe da pasta, Fabio Wajngarten, se manifeste sobre o assunto. O MPF também mandou averiguar a responsabilidade pela criação e manutenção de dez sites, canais do YouTube e aplicativos. Entre eles estão o canal e site oficial de Flávio Bolsonaro e dois aplicativos de telefone celular sobre Jair Bolsonaro.

Na semana passada, a Secom promoveu uma coletiva de imprensa para esclarecer os critérios de publicidade nestes sites. Segundo a apresentação exibida por Wajngarten e pelo secretário de publicidade da Presidência da República, Glen Valente, a secretaria utiliza o serviço de AdSense por meio da contratação de agências de publicidade.

“Não há, nem é possível, qualquer direcionamento para sites ou blogs impróprios porque a Secom não compra, não investe. Não existe nem blacklist nem whitelist. A gente não faz censura, a gente não faz definição de nenhuma plataforma ou exclui ninguém. A gente vai estar sempre atrás do indivíduo”, afirmou Valente.

Nesta quarta-feira (10), a pasta passou a fazer parte da competência do Ministério das Comunicações, recriado pelo presidente Bolsonaro e sob responsabilidade do deputado Fábio Faria (PSD-RN), genro de Silvio Santos, dono do SBT.
(Congresso em Foco)

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