Febre do Nilo: São Paulo tem primeiros casos e Santa Catarina registra 1ª morte no País

 


Crédito: Reprodução / Lauren Bishop / Centers for Disease Control and Prevention (CDC) Public Health Image Library 


São Paulo confirmou nesta segunda-feira, 24, os dois primeiros casos humanos de Febre do Nilo Ocidental (FNO) registrados no Estado.

No mesmo dia, Santa Catarina confirmou a primeira morte pela doença em seu território. Os novos registros colocam a infecção viral novamente no radar das autoridades de saúde e reforçam a necessidade de vigilância sobre a circulação do vírus no País. 

Os dois casos paulistas foram identificados no municípios de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, no interior do Estado.Uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto e com histórico recente de viagem à região amazônica, já se recuperou.O segundo caso é de uma mulher de 18 anos, residente em São José do Rio Preto, que permanece internada sob cuidados médicos.

Os diagnósticos foram confirmados por exames laboratoriais realizados pelo Instituto Adolfo Lutz e notificados ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). O local provável de infecção ainda é investigado pelas equipes de vigilância epidemiológica municipais e estaduais. 

 Em Santa Catarina, uma mulher de 77 anos, moradora de Imbituba, no Litoral Sul, morreu em 8 de agosto após apresentar manifestações neurológicas associadas à doença.A confirmação do óbito pela Febre do Nilo Ocidental foi divulgada pela Secretaria de Estado da Saúde nesta segunda-feira, 24. O Estado também confirmou um segundo caso, envolvendo um homem de 56 anos, de Caçador. 

Ele apresentou manifestações neurológicas, precisou ser internado, mas recebeu alta. As duas ocorrências seguem sob investigação epidemiológica para identificar os prováveis locais de infecção e compreender a circulação do vírus no território catarinense.  

A Febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral aguda provocada por um arbovírus, grupo que também inclui os vírus causadores da dengue, Zika, chikungunya e febre amarela. Segundo o Ministério da Saúde, a doença pode não apresentar sintomas ou evoluir com manifestações que vão de quadros leves a comprometimentos graves do sistema nervoso central ou periférico. A principal forma de transmissão ocorre pela picada de mosquitos infectados, sobretudo do gênero Culex, conhecido popularmente como pernilongo.

O ciclo envolve principalmente aves silvestres, que funcionam como hospedeiras naturais e fonte de infecção para os mosquitos. Humanos, equinos e outros mamíferos podem ser infectados, mas são considerados hospedeiros acidentais e terminais, pois não apresentam níveis suficientes do vírus para infectar novos mosquitos. Há ainda formas mais raras de transmissão descritas, como por transfusão sanguínea, transplante de órgãos, aleitamento materno e transmissão transplacentária

O vírus do Nilo Ocidental foi identificado originalmente em Uganda, na África, em 1937. Segundo o Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, posteriormente a doença foi registrada em países da Europa, Ásia e África e chegou à América do Norte no fim da década de 1990. 

 No Brasil, o primeiro caso humano foi reportado em 2014. Registros oficiais do Ministério da Saúde apontam que a confirmação ocorreu no Piauí e ampliou a vigilância sobre a circulação do vírus no País. Antes disso, já havia evidências de circulação do vírus em animais.

Quais são os sintomas?

A maioria das pessoas infectadas não desenvolve sintomas. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 20% dos infectados apresentam manifestações clínicas, geralmente leves. Entre os sintomas estão:febre de início abrupto;mal-estar;falta de apetite;náusea;vômito;dor nos olhos;dor de cabeça;dor muscular;manchas na pele e;aumento dos gânglios linfáticos. Em uma parcela menor dos casos, a infecção pode atingir o sistema nervoso e provocar quadros como meningite, encefalite e paralisia flácida aguda.

O Ministério da Saúde estima que aproximadamente um em cada 150 infectados desenvolva doença neurológica severa. Essas formas mais graves podem provocar febre, fraqueza, alterações do estado mental, fraqueza muscular intensa, paralisia, convulsões e outras manifestações neurológicas. Existe tratamento ou vacina?Não há, atualmente, vacina recomendada no Brasil nem tratamento antiviral específico contra a Febre do Nilo Ocidental. 

O tratamento é sintomático e envolve acompanhamento médico, repouso e reposição de líquidos quando indicada.Nos casos graves, com comprometimento do sistema nervoso central, pode ser necessária internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com tratamento de suporte para reduzir complicações e o risco de morte.

 Como prevenir?A principal forma de prevenção é reduzir a exposição aos mosquitos transmissores. O Ministério da Saúde recomenda o uso de repelentes, telas em portas e janelas e cuidados para evitar a formação de criadouros.Confira notícias sobre o Ceará, no Brasil e no MundoTambém é indicado reduzir a exposição aos vetores principalmente ao amanhecer e ao entardecer. 

A orientação inclui evitar água parada, não descartar lixo em valas, córregos e rios e evitar o contato com animais mortos.Trabalhadores que atuam ao ar livre, como agricultores, jardineiros, paisagistas, veterinários e trabalhadores da construção civil, estão entre os grupos com maior exposição aos vetores. 

A vigilância também envolve o monitoramento de animais. A ocorrência de aves silvestres ou equídeos com manifestações neurológicas é considerada relevante para a identificação de possíveis áreas de circulação do vírus e deve ser comunicada às autoridades de saúde.  

                                                             O POVO 

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