Grupo de 15 maranhenses era mantido sem salário, alimentação e sob ameaças em Maranguape

 


 Crédito: Reprodução/Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza (STICCRMF) 

Um grupo de 15 maranhenses foi resgatado em uma obra no município de Maranguape, município da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), durante a terça-feira, passada, 21.O resgate foi feio pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza (STICCRMF), após denúncia dos próprios trabalhadores. 

Ao Sindicato, os trabalhadores contaram ter chegado à Maranguape este ano, os primeiros já no mês de janeiro, sob promessa de salário na casa dos R$ 3 mil e boas condições de trabalho.Quando chegaram no município da RMF, entretanto, o que encontraram foi um alojamento sem mobília, apenas com espaço para redes, e pagamento de um salário mínimo por mês. 

 "Lá tem um encarregado que é de lá do Maranhão. Esse encarregado chamou eles para trabalhar aqui com a oferta que iriam ganhar bem e ter as condições normais de trabalho. Só que quando chegaram aqui a realidade foi outra. Colocaram eles em uma casa grande, mas que não tinha nada. Não tinha água para beber, para tomar banho... nada. Só o local de armar as redes", conta o presidente do STICCRMF, Nestor Bezerra são proibidas

Ainda conforme o relato dos profissionais, a situação foi agravada nos últimos três meses, quando até os pagamentos de um salário mínimo deixaram de ser feitos e houveram mudanças também na alimentação. Inicialmente, os trabalhadores comiam em um self-service junto aos demais empregados da empresa responsável pela obra.Nos últimos três meses, entretanto, o encarregado que os trouxe do Maranhão afirmou que a construtora iria repassar o valor da alimentação dos maranhenses e que ele se responsabilizaria pela comida dos 15.

Os profissionais então começaram a ter refeições de baixa nutrição e quantidade insuficiente. Em um dos relatos, os trabalhadores contaram que precisavam dividir uma bisteca de porco para duas pessoas no jantar. Em vista das condições de trabalho totalmente diferentes das prometidas, o grupo informou que não trabalharia mais na construção até que houvesse uma negociação do salário, alimentação e alojamento.Foi então que eles passaram um fim de semana inteiro sem receber alimentação, sob a alegação de que só iria comer quem trabalhasse. "Diziam para eles que só iria comer quem fosse trabalhar. Porque como eles viram que não tinham salário, começaram a dizer que não iam trabalhar. Aí o encarregado disse 'só vai comer aqui quem trabalhar'. Ficaram sem alimentação na sexta, no sábado e no domingo", conclui Bezerra. Trabalhadores teriam sofridos ameaças de morte para não denunciarem o caso

A denúncia feita pelos trabalhadores também cita ameaças de morte feitas pelo encarregado da obra para que eles não denunciassem as más condições de trabalho.Aos maranhenses ele teria dito que possuía contatos em uma facção criminosa atuante na área e que se eles denunciassem os maus-tratos, não chegariam a retornar para o Maranhão."Segundo os trabalhadores contaram na Delegacia, eles ouviram do encarregado que se eles procurassem ou a Delegacia ou o Ministério do Trabalho, não sairiam de lá vivos para chegar no Maranhão. Disse que se eles denunciassem, a facção ia matar", conta Bezerra.

Questionado sobre quais as explicações dada pela empresa responsável pela obra, o Sindicato informou que a construtora acompanhou todo o prrocesso de resgate e informou não saber das condições em que os maranhenses estavam.

A construtora também informou que ao contrário do grupo, os trabalhadores diretos da empresa recebiam salário regularmente e tinham alimentação no self-service.O POVO tentou contato com a empresa responsável pela obra através do telefone listado no site da construtora mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para defesa.

Também procurada, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que o caso foi registrado em Boletim de Ocorrência (B.O) na delegacia de Maranguape na terça-feira, 21, e está sendo apurado.

O caso também foi denunciado à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Ceará (SRTE-CE) na quarta-feira, 22.Em nota, o órgão informou que denúncia já está sob análise da equipe de fiscalização da SRTE-CE e que adotará os procedimentos necessários para a apuração dos fatos.

 O Ministério Público do Trabalho do Ceará informou que foi instaurada uma Notícia de Fato para apuração das circunstâncias relacionadas ao ocorrido.

                                                                 O POVO 

Postar um comentário

0 Comentários