Professor cearense passará sete meses como assistente ensinando português para alunos franceses / Crédito: Paulo Roosevelt
O professor Lucas Silva, de 23 anos, é recém-graduado em Letras Português e Francês pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e foi aprovado em um programa que leva professores brasileiros para lecionar em território francês.A iniciativa é fruto de uma parceria entre os governos do Brasil e da França para impulsionar o ensino da língua portuguesa e o intercâmbio cultural em escolas francesas.
Mais de 30 brasileiros foram selecionados para atuar como professores assistentes durante sete meses, de outubro de 2026 a abril de 2027. Lucas embarca em setembro e passará esse período na Academia de Versalhes, que é composta por um conjunto de escolas associadas a Versalhes.Para custear as despesas da viagem, ele divulgou em suas redes sociais uma campanha de arrecadação.
Lucas Silva nasceu em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza, mas viveu em Caucaia com a mãe até os 4 anos. Em seguida, os dois foram para a cidade de São Luís do Curu, localizada a cerca de 80 quilômetros da Capital. Apenas uma década depois, aos 14 anos, ele retornaria ao local de nascença para concluir os ensinos fundamental e médio.
Na Escola Estadual de Educação Profissional (EEEP) Luiza Teodoro Vieira, ele decidiu se aventurar em um curso de Técnico em Enfermagem. “Na época eu achei que faria medicina ou algo na área da saúde, então pensei em usar o curso técnico como uma forma de me testar. Deu pra perceber que eu não curti, né?”, relembra com humor.
Foi no terceiro ano do ensino médio que ele decidiu cursar Letras Português e Francês, resgatando a memória de assistir ao desenho animado Madeline, na TV Cultura. O desenho mostra as aventuras de uma garotinha francesa que vive em um internato, e a afeição de Lucas por essa história despertou seu interesse pela língua.
Esse período e os primeiros semestres da faculdade coincidiram com a pandemia de Covid-19. Além do momento delicado do isolamento social e a dificuldade de acompanhar as aulas remotamente, Lucas também precisou lidar com a perda de um tio querido para a doença.“Meu primeiro ano aprendendo francês foi bem difícil. Era um pouco complicado prestar atenção nas aulas online, também foi nessa época que meu tio, com quem morei e considerava um avô, teve Covid e faleceu”, conta.
Saltando para 2022, quando as aulas presenciais foram finalmente liberadas, o plano de Lucas era se tornar professor de literatura, enquanto o domínio da língua francesa seria a realização de um sonho de infância.Ele não planejava ser professor, até que surgiu a oportunidade de ser bolsista da Casa de Cultura Francesa (CCF), aparelho de extensão da UFC para o ensino de língua estrangeira.
“Muitas portas se fecharam para que essa pudesse se abrir”, Lucas explica que havia tentado outras seleções para bolsas, mas que todas possuíam apenas uma vaga e que ele sempre acabava em segundo lugar. No caso da CCF, havia duas vagas, e ele ficou em primeiro. Após alguns anos lecionando, a graduação acabou. Houve uma tentativa de ingressar no mestrado, mas a reprovação direcionou o jovem professor para o caminho que está prestes a percorrer.
A rejeição serviu de combustível para que tentasse uma vaga no Programa de Professores Assistentes de Língua Portuguesa na França.Agora, Lucas está prestes a embarcar rumo à França, onde ensinará português para alunos franceses durante sete meses.Ele vai trabalhar em duas escolas de ensino médio nas cidades de Deuil-la-Barre e Argenteuil, que ficam na Ilha de França, nos arredores de Paris.
Ainda existem preocupações financeiras, já que a remuneração pelo trabalho só começará a ser recebida em novembro. “Tudo sai do meu bolso, o programa não custeia nada. Já comprei a passagem e, antes de embarcar, vou precisar ir pra Recife resolver o visto, tudo por conta própria”, explica.
Por fim, ele conta que continuará dando aulas particulares, tanto por carinho aos alunos quanto para contribuir com o valor que receberá como professor, que não chega a um salário mínimo na França. “Vou precisar reduzir a quantidade e fazer algumas mudanças de horário, mas não quero abandonar meus alunos daqui, tenho muito apreço por eles”, conclui.Doações para a viagem de Lucas à VersalhesA chave Pix está no Instagram @leproflucasObjetivo: 1000 euros (R$ 5.000)
O POVO
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