
O fim da janela partidária em abril marcou o início das articulações mais intensas dos grupos políticos do Ceará visando as eleições deste ano. Desde então, movimentações de peças da base e da oposição do Estado para a formação das chapas foram registradas. A última semana ficou marcada pela reunião de parlamentares do PSB, possíveis definições quanto às vagas para o Senado Federal e encontro de adversários políticos em agenda no Cariri, região importante para a disputa.
Ainda no dia 23 de maio, o nome do governador Elmano de Freitas (PT) foi oficializado como pré-candidato à reeleição. O petista comentou sobre a honra de ter sido escolhido novamente candidato, de forma unânime, e frisou que a próxima etapa é seguir para a pré-campanha.
“Vamos agora para uma pré-campanha, para poder ouvir a população do Ceará, conversar com as nossas lideranças, ouvir os nossos pontos e discutir os novos desafios. Nós fizemos muito avanço no Ceará, mas tem muita coisa ainda para ser feita, e queremos discutir o que precisa ser feito, ouvindo o nosso povo, ouvindo as nossas lideranças, ouvindo os movimentos sociais”, afirmou no ato.
Elmano, inclusive, é apontado como a figura que conduzirá a construção da chapa majoritária, com vagas ainda disponíveis para a vice-governadoria e as duas cadeiras do Senado Federal. De acordo com o senador Cid Gomes (PSB), um dos nomes cotados para a Câmara Alta, essa definições poderão ser feitas pelo governador neste mês.
“Quem conduz o processo é o governador Elmano, ele é quem conduz, lidera e quem diz o timing disso. O governador, ao que me consta está fazendo contatos, mas essas coisas não são simples porque você tem muitas expectativas e poucos lugares. Então o governador tem um papel de procurar, ver qual é a prioridade, se não for a prioridade ver qual é a segunda prioridade, ver esse processo. É razoável que, como ele deseja antecipar, nos próximos dias a gente possa ter uma conclusão”, declarou o senador.
Reunião do PSB
Partidos como PSD e Republicanos também disputam a indicação em vagas da chapa de Elmano. Além da discussão sobre a chapa para a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), a reunião do PSB foi marcada pelo líder do PSB admitindo que poderá concorrer à reeleição ao Senado, conforme informado pelo jornalista Carlos Mazza da coluna Vertical, do O POVO.
“O senador Cid ouviu que é do desejo de todos, é uma posição unânime mesmo, que ele venha a disputar a eleição. Porque fortalece a chapa”, declarou um presente no local.
No entanto, o senador impôs a condição de que o deputado federal Júnior Mano (PSB) aceite a troca. O parlamentar é o nome defendido por Cid para o cargo e, após a reunião, o ex-governador reafirmou o compromisso com Mano.
“Tenho palavra. Uma das coisas fundamentais que me dá longevidade na política é confiarem na minha palavra e não abro mão da minha palavra por nada nesse mundo. Eu tenho um compromisso com o Júnior Mano”, disse.
“Você pode imaginar um milhão de coisas, não lembro exatamente o que eu falei, mas quero deixar muito claro isso, que eu tenho um compromisso com ele e obviamente a única condição pra eu não honrar esse compromisso está na mão dele. É uma decisão dele. É óbvio que ele só será o meu candidato se quiser. Ele é meu candidato e enquanto ele quiser terá a minha palavra”.
Chapa definida neste mês e vaga para Cid
Em Barbalha no último sábado, 30, o senador Camilo Santana (PT) afirmou que o grupo deverá definir os nomes da chapa em junho e antecipou que o senador Cid Gomes ficará com uma das duas vagas para o Senado Federal.
“E eu estou trabalhando muito. Vamos ter o Cid com uma das vagas de senador para que a gente possa não deixar parar esse projeto que hoje é uma referência para o Brasil”, disse Camilo.
Em visita ao O POVO na última quarta-feira, 27, Camilo elogiou a trajetória de Cid e afirmou que o senador “não pode ficar sem mandato”, mas avaliou que a definição deve passar por uma negociação direta justamente com o deputado Júnior Mano.
Ainda no sábado em Barbalha, o ex-ministro afirmou que a segunda vaga ao Senado ainda será discutida. Camilo chegou a mencionar os outros pré-candidatos do grupo, como o deputado federal Eunício Oliveira (MDB) e o ex-senador Chiquinho Feitosa (Republicanos).
“Nós vamos discutir, nós vamos trabalhar. Temos Eunício, temos Chiquinho, temos vários outros parceiros importantes, mas no momento certo... A gente quer, agora em junho, definir quem vai ser o vice ou a vice, as duas vagas de senadores”, detalhou.
Segunda vaga do Senado
Também em agenda na região do Cariri, Eunício reafirmou a sua pré-candidatura e destacou que, para garantir a continuidade do projeto político do grupo, é necessário ter menos vaidade e pensar no coletivo.
Questionado sobre a possibilidade de ser vice na chapa, em vez de concorrer para o Senado como vem se postulando, Eunício reafirmou o desejo de voltar a ser senador. Ele, no entanto, mencionou o grupo político que integra.
“Nós estamos negociando, fazendo um acordo com todos os partidos. Eu sou pré-candidato. Hoje mesmo o Camilo [Santana] confirmou aqui, eu sou pré-candidato ao Senado da República. Agora, nós pertencemos a um grupo, nós vamos juntar todos os partidos, como ele disse", ressaltou.
E seguiu: "Vamos fazer a negociação que será uma negociação importante para a vitória da continuidade do trabalho que estamos fazendo pelo Estado do Ceará. Então, para essa continuidade acontecer, nós temos que ser menos vaidosos e pensar não no individual, pensar em um projeto que ajude cada vez mais o Estado do Ceará se desenvolver”.
Indefinição na oposição
A indefinição quanto às duas vagas do Senado também é presente no grupo de oposição. A disputa interna no Partido Liberal (PL) no Ceará em relação à indicação para o Senado Federal ainda segue. Na última sexta-feira, 29, André Fernandes, deputado federal e presidente estadual do partido, e Priscila Costa (PL), pré-candidata da sigla ao Senado, deram declarações conflitantes sobre o tema.
Ambos foram indagados sobre os rumos do PL na eleição deste ano, durante um evento de retotalização dos votos de 2022, realizada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), em Fortaleza, que definiu que o PL ganharia mais uma cadeira na Câmara dos Deputados. Priscila ocupará essa vaga até o fim da atual legislatura.
Além de Priscila, a disputa pela indicação ao Senado envolve o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pai de André Fernandes. No entanto, Priscila também se lançou para o cargo, ainda no ano passado, com apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Enquanto André Fernandes aponta que “não há mais disputa” e afirma que o seu pai foi escolhido como pré-candidato do partido, Priscila Costa indica que, até chegar uma manifestação oficial dos líderes do PL Nacional, ela seguirá como pré-candidata ao Senado.
“Onde foi que a nacional se manifestou em relação a isso? O presidente Valdemar falou sobre isso? Ele se manifestou? A presidente Michelle? Eu fui lançada em junho de 2025 ao Senado. Nesse período, nós tínhamos outro presidente no PL Ceará”, questionou a parlamentar.
No Ceará, o PL já indicou que apoiará o pré-candidato ao Governo do Estado Ciro Gomes (PSDB) e, com isso, não deverá indicar dois nomes da sigla para concorrer ao Senado, dando espaço aos outros partidos de oposição na chapa, como o União Brasil e o próprio PSDB.
Assim como as duas cadeiras no Senado, a posição de vice segue incerta. Um dos cotados para compor a chapa com Ciro é o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União Brasil). Durante missa em Barbalha, no Cariri, ele evitou definir o cargo que ocupará, mas ressaltou que estará presente na urna eletrônica.
Ao ser questionado pela Rádio O POVO CBN Cariri em que posição estaria, o ex-prefeito respondeu: “Estou num movimento, num projeto. Quero ser mais um nessa corrente. Não me interessa, especificamente, nenhum cargo público. Vou lutar e vai caber, nas convenções (partidárias) a mim o lugar que for melhor para o projeto. Não tenho ambição específica, mas não posso mentir que fico honrado com o convite do Ciro (para ser vice) e desejoso. Na urna, eu vou estar!”, confirmou.
Base e oposição em Barbalha
O último final de semana também ficou marcado pela presença dos dois grupos adversários na Missa de Santo Antônio em Barbalha. Entre os aliados de Elmano, estavam a vice-governadora Jade Romero (PT), o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), o deputado federal Eduardo Bismarck (PV), os deputados estaduais Guilherme Sampaio (PT) e Larissa Gaspar (PT), o presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Romeu Aldigueri (PSB), o prefeito de Barbalha, Guilherme Saraiva (PT), a prefeita de Crateús, Janaína Farias (PT) e o deputado estadual Fernando Santana (PT).
Já entre os nomes da oposição participaram da celebração na Igreja Matriz de Barbalha o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil), a deputada estadual Emilia Pessoa (PSDB), o deputado estadual Carmelo Neto (PL), a vereadora de Fortaleza Bella Carmelo (PL), o presidente da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, Felipe Vasques (PSDB) e o ex-prefeito de Barbalha Argemiro Sampaio (PSDB).
A movimentação de políticos no local atraiu apoiadores dos dois grupos políticos. Ao final da missa, gritos com o nome de Elmano, Camilo e Ciro foram entoados no local. O momento foi interrompido pelo diácono permanente da Diocese do Crato, Rafhael Hernandez, que pediu respeito ao nome de Deus.
“Povo de Deus, vocês não estão em casa, vocês estão na casa de Deus. Casa de Deus é a casa de Deus. Igreja não é lugar para politicagem. Casa de Deus é a casa de Deus. Peço em nome da igreja, cesse, por favor. Respeito a Deus acima de tudo, de todos e de qualquer homem”, disse o religioso.
Troca de farpas
Ainda no município, Ciro Gomes foi questionado pela imprensa sobre as críticas por ter se aliado a apoiadores de Bolsonaro. Em vídeo publicado pelo portal No Cariri Tem, o tucano disse ter “critério” e relembrou que busca juntar lideranças do Estado que “estavam em oposição, mas dispersas e fraturadas”, mencionando Capitão Wagner e Roberto Cláudio, cotados para compor a chapa da oposição com ele.
Ciro também mencionou os políticos que apoiavam Bolsonaro e, agora, integram a base de Elmano, como os deputados federais Júnior Mano e Yury do Paredão (MDB), expulsos do PL. Segundo ele, a diferença é que os aliados bolsonaristas “são todos homens honrados e limpos”.
“A mesma fala dele não vale nada. O prefeito atual de Sobral era bolsonarista fanático, tem uma 'ruma' de bolsonarista. O Júnior Mano foi eleito pelo PL, Yury do Paredão foi eleito pelo PL e estão tudo lá. Sabe qual é a diferença? É que os meus bolsonaristas são todos homens honrados, limpos. Nenhum deles é picareta ou está envolvido com Polícia Federal”.
Elmano reagiu
Pelas redes sociais nessa segunda-feira, 1º, Elmano afirmou que o adversário “se juntou ao pior da política” e, em referência aos aliados do tucano, disse não ter “bolsonarista de estimação”, mencionando o deputado federal André Fernandes (PL), o deputado estadual Carmelo Neto (PL) e a família do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Ao contrário de Ciro, que se juntou ao pior da política, não tenho bolsonarista de estimação. A máscara dele caiu. Que fique com Capitão Wagner, André Fernandes, Carmelo, Inspetor Alberto e a Família Bolsonaro para ele. Estou onde sempre estive: com Lula, Camilo, Cid, Izolda e o povo”, escreveu.
Horas depois, Roberto Cláudio saiu em defesa do aliado e rebateu a declaração do governador Elmano de Freitas (PT). O ex-gestor municipal criticou a gestão petista e disse que há “inúmeras contradições políticas” presentes no palanque do governador.
Blog do Amaury Alencar o Povo
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