As pressões internas no PT e no Palácio do Planalto aumentaram nas últimas horas para que o senador Jaques Wagner (PT-BA) deixe a liderança do Governo no Senado após a operação da Polícia Federal que o vinculou ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Embora Wagner resista a entregar o cargo, setores da bancada petista já aprofundam as discussões sobre sua sucessão e articulam a escolha do senador e ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE) como novo líder do Governo.
Camilo ganhou projeção nacional à frente do Ministério da Educação, ampliou o diálogo com deputados e senadores e passou a ser visto por integrantes do PT como o nome mais qualificado para assumir a função. No entanto, lideranças do partido ponderam que o ex-governador do Ceará precisa manter presença constante no Estado, onde coordena as articulações políticas para a reeleição do governador Elmano de Freitas, em 2026.
A pressão pela saída de Jaques Wagner cresceu diante do temor de que o escândalo envolvendo o Banco Master provoque desgastes políticos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deverá disputar a reeleição no próximo ano. Auxiliares presidenciais avaliam que a permanência do senador no cargo pode comprometer o discurso do governo contra adversários políticos, especialmente contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como um dos principais nomes da oposição na sucessão presidencial.
Uma reunião entre Lula e Jaques Wagner, prevista para esta quarta-feira, poderá definir o futuro do senador no comando da liderança governista. Auxiliares do Palácio do Planalto e integrantes da bancada do PT no Senado admitem que a hipótese de permanência de Wagner perdeu força nos últimos dias.
Com a possibilidade concreta de mudança, senadores petistas iniciaram conversas sobre a sucessão. Além de Camilo Santana, o nome da senadora Teresa Leitão (PT-PE) também aparece entre os cotados.
Camilo, porém, desponta como favorito por reunir duas características consideradas estratégicas: a interlocução direta com Lula e a boa relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Mesmo em momentos de tensão entre Lula e Alcolumbre, especialmente durante a disputa pela indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), Camilo manteve diálogo próximo com o presidente do Senado e participou de agendas conjuntas no Amapá.
A crise também provocou fissuras no grupo político conhecido como “República da Bahia”, que tem como expoentes o senador Jaques Wagner e e o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa. O núcleo é considerado um dos principais conselheiros de Lula no terceiro mandato.
Jaques Wagner foi alvo de operação da Polícia Federal na última semana. A investigação aponta que ele teria recebido supostas “vantagens indevidas” do Banco Master para favorecer interesses do banqueiro Daniel Vorcaro e de seu ex-sócio Augusto Lima. O senador nega qualquer irregularidade, afirma ter atuado contra interesses do banco e acionou o Supremo Tribunal Federal pedindo a anulação da operação.
No entorno do presidente Lula cresce a avaliação de que uma eventual substituição deve ocorrer rapidamente, evitando que o desgaste contamine eventos estratégicos do governo, como as celebrações do 2 de Julho, data da Independência da Bahia, quando estão previstas inaugurações e anúncios de investimentos federais no estado.
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