Brasil Sem Feminicídio: “Ceará é o primeiro estado do Brasil a aderir ao pacto”, destaca Janja da Silva

 


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Governador Elmano de Freitas recebeu a primeira-dama do Brasil durante ato de apresentação da iniciativa no estado

O Ceará recebeu, nesta quinta-feira (25), a primeira-dama do Brasil, Janja da Silva, para o ato de apresentação do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. Na ocasião, a idealizadora e articuladora política da iniciativa esteve acompanhada do governador Elmano de Freitas, da vice-governadora Jade Romero e da primeira-dama do Ceará, Lia de Freitas. A ação reúne os Três Poderes (Executivo Federal, Legislativo e Judiciário) com o objetivo de fortalecer políticas de prevenção, proteção e combate à violência de gênero.

Janja da Silva, Lia de Freitas e Jade Romero no Museu da Imagem e do Som

Em Fortaleza, o encontro ocorreu no Museu da Imagem e do Som (MIS). Representantes do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) e do Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE-CE) também estiveram presentes, além da titular da Secretaria das Mulheres (SM), Juliana Lucena, e de lideranças da sociedade civil. Os ministros das Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias, também participaram do evento. Estiveram presentes, ainda, o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, e a vice-prefeita, Gabriela Aguiar.

Lançado neste ano, o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio tem como foco o enfrentamento ao feminicídio e a garantia da vida de meninas e mulheres. Entre as principais medidas estão o cumprimento célere e efetivo das medidas protetivas de urgência; a promoção de informações sobre os direitos de meninas e mulheres para toda a sociedade; e a sensibilização de meninos e homens para a defesa dos direitos das mulheres e o enfrentamento da violência contra meninas e mulheres, entre outras ações.

Lideranças governamentais e sociedade civil reunidas

“Quero agradecer a presença da nossa primeira-dama, Janja da Silva, por trazer para o Ceará um tema que eu considero absolutamente fundamental para a nossa sociedade, que é nós termos um pacto nacional contra o feminicídio”, frisou o governador Elmano de Freitas, ao destacar a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres existente no Ceará, ressaltando, no entanto, que é preciso avançar ainda mais.

Governador Elmano de Freitas discursando ao lado de Janja da Silva

“Nós precisamos caminhar para uma sociedade justa, em que as mulheres possam viver em paz, com tranquilidade e sendo respeitadas. Hoje temos aqui no Ceará a primeira-dama do país jogando luz sobre esse tema, inquietudes, nos apresentando caminhos para que a gente possa fazer o máximo de esforços”, completou.

Autoridades em painel interativo de discussões

O estado aderiu ao pacto ainda em fevereiro, durante a cerimônia de lançamento, realizada em Brasília. O evento desta quinta-feira marcou uma nova etapa da mobilização nacional em defesa da vida das mulheres, de acordo com a primeira-dama do país, Janja da Silva. “Estamos levando para os estados a mesma compreensão que orientou a construção do pacto em nível nacional: a de que a cooperação entre os poderes é fundamental para enfrentar um problemão tão complexo e urgente. Quando reunimos esforços, recursos, compromissos e, principalmente, vontade política, ampliamos a nossa capacidade de proteger as mulheres e meninas, salvar vidas e transformar realidades”, afirmou.

Primeira-dama Janja da Silva discursa no palco do MIS

Já a vice-governadora Jade Romero ressaltou que o pacto se soma às ações já desenvolvidas no estado para o enfrentamento da violência contra as mulheres, como o programa Tempo de Justiça, que visa dar celeridade à investigação e ao julgamento de crimes dolosos contra a vida e feminicídios, fruto de uma parceria interinstitucional. “A gente está chegando a mais de 80% dos casos de feminicídio, tentados e consumados, julgados em menos de 400 dias. Nós temos um julgamento que ocorreu em tempo recorde, em menos de três meses, fruto desse trabalho conjunto, que visa dar celeridade a esses processos”, pontuou.

Encontros estaduais

Nos estados, os encontros têm como objetivo ampliar a articulação, aprofundar o diagnóstico sobre as causas da violência de gênero e incentivar a implementação de políticas públicas de prevenção e proteção às mulheres. A agenda, coordenada pela SRI, também destaca os resultados já alcançados. Entre abril e maio, os casos de feminicídio registraram queda de 11% em relação ao mesmo período do ano passado, coincidindo com o período de implementação do Pacto Brasil Contra o Feminicídio.

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O ministro José Guimarães falou sobre a importância de aproximar o tema da população. “Esse pacto tem que ser algo que esteja presente no cotidiano das pessoas, em casa, nas ruas, na escola, porque a violência não tem território definido. Portanto, esse momento aqui no Ceará é muito especial, representa um compromisso com a vida”, disse.

Transformando a dor em luta

Quem transformou a dor da violência em luta foi a cearense Ana Clara Antero. Presente ao evento, ela destacou que o pacto representa um importante instrumento de proteção. “A mulher tem que ter o direito de viver e, infelizmente, nós, mulheres, não temos isso. É importante o governo fomentar essas campanhas, pois, assim, temos mais voz.”

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A partir de agora, Ana Clara afirma que espera fortalecer sua atuação na defesa da causa. “Eu sou uma sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, e o meu recado é: se você estiver passando por algum tipo de agressão, denuncie. Eu sei que não é fácil, mas não queira que o pior aconteça com você”, concluiu.

O caso da jovem de Quixeramobim indignou o país e ganhou repercussão nacional. Após receber atendimento ágil em unidades de referência, como o Instituto Doutor José Frota (IJF), Ana Clara teve alta médica e hoje se recupera em paz. Para que isso fosse possível, ela destaca o atendimento inicial prestado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Ana Clara Antero ao lado do enfermeiro João Emanuel

Enfermeiro do Samu, João Emanuel foi o primeiro profissional a atender Ana Clara após o chamado da ocorrência. Agora, ao vê-la recuperada, ele diz sentir-se muito feliz. “É gratificante perceber que, por meio do nosso trabalho, ela está tendo a oportunidade de recomeçar e recuperar sua qualidade de vida.”

Ele também destacou que os homens têm um papel fundamental no enfrentamento ao feminicídio. “Acolhendo, compreendendo e respeitando os limites das mulheres, e jamais agredindo, seja verbalmente ou fisicamente”, concluiu.

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