
Após sair do MDB e se filiar ao Podemos, o suplente de deputado federal, Rondinelle Pereira de Freitas, o Nelinho Freitas (Podemos), assumiu como presidente do partido no Ceará, na última semana.
O suplente afirmou ao O POVO que sua nomeação foi fruto de articulações políticas estratégicas envolvendo o governador Elmano de Freitas (PT) e o senador Cid Gomes (PSB). “Nós conversamos com o Podemos, obviamente, através de uma articulação do Elmano de Freitas, com articulação também do Cid, do Camilo e do Evando Leitão. Foi quando a gente conseguiu conversar sobre o fortalecimento do Podemos, para que pudéssemos montar uma chapa com a viabilidade de fazer um deputado federal”, disse Nelinho.
O suplente é pré-candidato à deputado federal. Segundo ele, no MDB, não haveria “possibilidades de assumir um mandato de federal” em 2026.
“Entendi que lá não tinha oportunidade, na verdade, de concorrer com grandes possibilidades de assumir um mandato de federal. Nessa eleição, por vista da dificuldade de alguns nomes para entrar no partido (MDB) e com a saída também do Audic Mota, fiquei um pouco incomodado com a pouca quantidade de pessoas e resolvi correr atrás de um novo projeto”.
O cargo era ocupado pelo ex-prefeito de Aracati Bismarck Maia (PSB). Ele deixou tanto a presidência como o partido. Ao O POVO, Bismarck afirmou que saiu do partido pois não via “condições de construir o projeto de ter deputado federal e uma bancada de estaduais”.
“Muitas foram as circunstâncias, inclusive a instabilidade política. Saí porque não vi condições de construir o projeto de ter deputado federal e uma bancada de estaduais. Não poderia permanecer sem elas. Em consequência, como político devo estar filiado e busquei o PSB, onde já estive, e continuar ao lado do Cid’, disse o também ex-deputado.
O Podemos é o partido do prefeito de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra, que já teceu fortes críticas ao governador Elmano de Freitas. Em suas últimas declarações, o prefeito já havia dito que o clima político entre ele e Elmano, marcado por trocas de críticas públicas ainda no ano passado, não evoluiu para um diálogo produtivo.
“A relação realmente hoje não existe, ela é inexistente, lamentavelmente”, disse. Ele já declarou apoio ao ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Ceará.
Sobre a situação do partido em Juazeiro, Nelinho afirmou estar "muito tranquilo". Ele negou que houvesse “incômodo” interno em relação à Glêdson. “Nenhum incômodo, até mesmo porque o Glêdson não é candidato a nada nessa eleição. Então para mim não traz nenhum problema, até mesmo porque essa discussão de partido vai ficar para depois”, afirmou.
O atual presidente do Podemos no Ceará afirmou que a sigla está "fechada com a reeleição do Elmano". A fala vem poucos dias após a repercussão de declarações de seu pai, Raimundo Cordeiro, ex-prefeito de Russas, que se filiou ao PSDB e declarou apoio à Ciro Gomes.
Sobre o assunto, Nelinho negou que houvesse atrito entre os dois. "Essa posição do meu pai, de votar do outro lado (oposição), já veio desde a eleição passada. Eu fui candidato pelo MDB com meu pai votando do outro lado e eu votando no Elmano. A democracia é assim mesmo, a posição dele sempre foi de votar na direita e, obviamente, eu votei no Elmano", explicou o suplente.

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