
O ex-presidenciável Ciro Gomes voltou, em meio a articulações para montagem de uma aliança com o PL, a enfrentar mais um momento de mal-estar político após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhar, nas redes sociais, declarações do senador Sergio Moro (União Brasil-PR) com críticas ao tucano ê pre-candidato ao Governo do Ceará.
A postagem de Michelle, feita neste fim de semana por meio de “story” no Instagram, retomou uma fala de Moro durante visita a Sobral, no sábado, quando o senador relembrou uma declaração antiga de Ciro Gomes afirmando que o receberia “à bala” caso fosse ao Ceará, durante o período da Operação Lava-Jato.
“Ciro Gomes declarou que se eu viesse ao Ceará, à terra dele, eu seria recebido com bala. Pois bem, estou aqui. E a gente não se intimida diante de valentões”, disse Moro ao participar de um evento de apoio à pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao Palácio da Abolição.
O senador paranaense aproveitou a ocasião para provocar o ex-ministro cearense. “E de fato o único representante de direita com coragem para enfrentar isso está nessa sala: o senador Eduardo Girão. Para fazer isso é preciso equilíbrio emocional, não pode entregar o governo a alguém que foi responsável pela vinda do PT e que teve a audácia de dizer que me receberia à bala aqui em Sobral”, afirmou Moro.
Em seguida, intensificou a provocação: “É onde está esse bufão agora para fazer a mesma ameaça? A gente vai por onde quiser, porque não tem medo.”
CANDIDATO DA DIREITA
A manifestação de Michelle Bolsonaro é vista como mais um sinal de apoio ao nome de Eduardo Girão, reforçando divisões dentro do próprio campo da direita no Ceará.
Enquanto Girão rejeita qualquer aliança com Ciro Gomes no primeiro turno, parte da direção estadual do PL, liderada pelo deputado federal André Fernandes, trabalha para fechar um acordo com o PSDB, que pode lançar Ciro ao Governo do Estado.
SENADO PARA O PL
Dentro dessa articulação, a ideia seria garantir ao PL uma vaga na chapa majoritária para disputar o Senado, com nomes como o deputado estadual Alcides Fernandes, pai de André, ou a vereadora de Fortaleza Priscila Costa.
Michelle como ponto de tensão
O gesto de Michelle Bolsonaro reforça sua posição crítica à aproximação entre bolsonaristas e Ciro Gomes, relembrando antigos conflitos entre o ex-ministro e a família Bolsonaro.
A ex-primeira-dama já havia provocado desgaste interno na oposição em dezembro do ano passado, quando criticou publicamente André Fernandes durante um evento em Fortaleza, por causa das tratativas com Ciro. Na ocasião, o episódio levou à suspensão temporária das negociações entre PL e PSDB.
Ciro chegou a reagir afirmando que Michelle havia “humilhado” o deputado.
Apesar das divergências, aliados do ex-ministro acreditam que a composição com o PL ainda pode avançar. Ciro já sinalizou que reserva uma vaga na chapa para os bolsonaristas, enquanto lideranças da direita no estado seguem divididas entre apoiar o ex-presidenciável ou manter a candidatura própria de Eduardo Girão.
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