João Campos define chapa para governo de Pernambuco e cenário eleitoral no Nordeste se desenha

 


Raquel Lyra e João Campos devem ser adversários na disputa pelo Governo de Pernambuco nas próximas eleições

Raquel Lyra e João Campos devem ser adversários na disputa pelo Governo de Pernambuco nas próximas eleições / Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil; Aurélio Alves/ O POVO


O prefeito do Recife, João Campos (PSB), planeja lançar a pré-candidatura ao Governo de Pernambuco nesta sexta-feira, 20. A chapa do prefeito deve incluir o senador Humberto Costa (PT) e a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT).

 Humberto Costa já sinalizou que tentará a reeleição no Senado, enquanto Marília Arraes se filiou ao Partido Democrático Trabalhista (PDT) na quarta-feira, 19, para tentar a segunda vaga para o posto. Marília vinha sendo sondada pela governadora Raquel Lyra (PSD), que trabalhava para atraí-la ao lado do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), em uma chapa competitiva ao Senado.

Com as últimas definições, a corrida pelo governo de Pernambuco em 2026 começa a ganhar contornos mais definidos, marcada pela disputa entre continuidade e renovação do Estado. De um lado, Raquel Lyra deve buscar a reeleição ancorada na narrativa de reconstrução de um Estado que classificou como “destruído” ao assumir o cargo em 2022.

João Campos, reeleito prefeito do Recife com 77% dos votos, baseia a candidatura no sentimento de esperança para um Pernambuco melhor. O prefeito definiu a chapa após reunião com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e o presidente nacional do PT, Edinho Silva. Em publicação no Instagram, Campos avaliou a conversa como “excelente”.

“Excelente conversa entre os presidentes Edinho, João Campos e Carlos Lupi na construção de uma estratégia nacional, que compreende a importância dos arranjos estaduais para o fortalecimento do projeto de reeleição do Presidente Lula”, escreveu o prefeito na quarta.

Ceará: busca de apoio para base governista

Em meio à proximidade do julgamento que pode homologar a federação União Progressista, que aglutina os partidos União Brasil e Progressistas, o governador Elmano de Freitas (PT) se reuniu com membros do grupo que apoiam a base cearense.

Judiciário Cearense

No Ceará, a federação entre União Brasil e Progressistas expõe uma divisão entre dois blocos políticos com projetos distintos para 2026.

De um lado, lideranças do União Brasil, como Capitão Wagner e Roberto Cláudio, defendem que a aliança atue na oposição a Elmano. Na oposição, ala formada pelos políticos presentes na reunião desta quinta, além de lideranças como o prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (União Brasil), defendem a reeleição do petista.

O encontro foi compartilhado nas redes sociais do petista na tarde desta quinta-feira, 19. “Reunião importante neste feriado de São José. União Progressista unido por um Ceará que não para”, escreveu Elmano.

Essa foi a última movimentação divulgada referente a busca de apoio político para as eleições gerais. A candidatura de Elmano de Freitas é a única praticamente definida pela base governista. Ele tentará reeleição ao governo possivelmente contra Ciro Gomes (PSDB), ex-governador e ex-ministro de Itamar Franco e Lula.

Ciro era do grupo governista até 2022, rompeu justamente na eleição de Elmano e virou oposição estadual e nacional. As vagas do Senado Federal contam com diversos candidatos, como o deputado federal José Guimarães (PT), líder do governo Lula na Câmara dos Deputados, Eunício Oliveira (MDB), deputado federal, o empresário Chiquinho Feitosa (Republicanos) e o também deputado federal Júnior Mano Júnior Mano (PSB) foi apontado pela Polícia Federal como figura central de uma rede suspeita de desviar recursos públicos destinados a municípios. (PSB), indicado por Cid Gomes.

No PL, os principais nomes são os do deputado estadual Alcides Fernandes, pai do deputado federal André Fernandes (PL), e o da vereadora Priscila Costa, mais votada na eleição municipal de 2024 em Fortaleza.

A bancada cearense é formada por Cid Gomes (PSB) e Eduardo Girão (Novo), vagas disponíveis nestas eleições, e Augusta Brito (PT), suplente em exercício do ministro da Educação, Camilo Santana.

Rio Grande do Norte: Vice “rompeu o compromisso” com govenadora

Fátima Bezerra (PT), governadora do Rio Grande do Norte, anunciou nesta terça-feira, 17, anunciou que não renunciará o cargo e não disputará uma vaga no Senado Federal nas eleições de outubro.

Em carta publicada nas redes sociais sob o título “Carta ao povo potiguar”, ela afirmou que cumprirá o mandato até dezembro e reiterou o apoio ao secretário de Fazenda, Cadu Xavier (PT), como candidato à sua sucessão.

“Para viabilizar a candidatura ao Senado, era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022”, escreveu Bezerra, atribuindo a postura de Alves a interesses de “uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo”.

A candidatura ficou inviabilizada pela recusa do vice-governador Walter Alves (MDB) de assumir o Executivo estadual. Isso levaria a uma eleição indireta, antes da eleição de outubro, para preenchimento provisório do cargo.

O vice-governador sinalizou candidatura a deputado estadual, mas declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O rompimento entre as duas lideranças foi formalizado em janeiro, quando Alves anunciou em nota que o MDB no Estado havia decidido integrar a Federação União Progressista e o PSD em uma chapa de oposição a Cadu Xavier.

Na carta, a governadora afirmou haver “um movimento articulado para tirar o PT do Senado” e disse que a iniciativa não terá êxito. “Não há cargo no Senado que valha a minha coerência”, acrescentou.

A aceitação do secretário entre os deputados estaduais é incerta. Pela oposição, especula-se a candidatura do empresário Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern).

Articulações avançam nos estados do Nordeste

No estado do Alagoas, o ministro dos Transportes Renan Filho (MDB) já declarou que será candidato ao Governo no Estado. O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), o JHC, deve ser seu principal opositor. Sua pré-candidatura ainda não foi oficialmente anunciada.

O xadrez político em Alagoas conta com duas peças importantes: Renan Filho é herdeiro político do senador Renan Calheiros (MDB), ex-presidente do Senado Federal. No campo oposto, JHC é filho do deputado federal João Caldas e tem proximidade com o deputado Arthur Lira (PP), ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Apesar do favoritismo potencial de JHC como principal nome da oposição, sua candidatura ao governo ainda não foi oficialmente lançada. Em caso de recuo, outras alternativas são consideradas, como o deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil) e Davi Davino (PP).

Maior estado da região, a Bahia vislumbra uma disputa acirrada no segundo semestre de 2026 e deve repetir a polarização que marcou o último pleito estadual.

A última pesquisa eleitoral publicada pelo instituto Real Time Big Data na quinta-feira, 12, mostrou que o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), lidera com margem apertada sobre o atual governador baiano candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT). ACM Neto tem 44% das intenções de voto no estado, enquanto Jerônimo Rodrigues tem 39% do eleitorado baiano. 

No campo governista, o PT concentra nomes como o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, ambos ex-governadores e cotados para disputar as duas vagas ao Senado. Na oposição, o ex-ministro da Cidadania João Roma (PL), ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, deve compor a chapa como representante do campo bolsonarista.

Na disputa política no Maranhão, o governador Carlos Brandão indicou o sobrinho, Orleans Brandão (MDB), como pré-candidato à sucessão, o que provocou o rompimento da aliança que reuniu 12 partidos em sua eleição.

Orleans Brandão lançou sua pré-candidatura ao governo do Maranhão, no último sábado, 14. Além dele, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), aparece entre os pré-candidatos. Também são citados o vice-governador Felipe Camarão (PT) e Lahesio Bonfim (Novo).

O Estado ainda assistiu ao rompimento entre o governador e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino. Dino é aliado de Lula e deve apoiar Felipe Camarão.

Sobre o Senado, o governador não deve disputar uma vaga, nem pretende deixar o cargo antes do fim do mandato. Na disputa ao Senado, são citados o ex-ministro André Fufuca (PP), o ex-senador Roberto Rocha (PSDB), a deputada licenciada Roseana Sarney (MDB) e os senadores Eliziane Gama (PSD) e Weverton Rocha (PDT).

Na Paraíba, o atual governador João Azevêdo (PSB), reeleito, se desincompatibilizará do cargo para disputar o Senado Federal nas eleições de outubro. Quem assumirá será o vice Lucas Ribeiro (PP), que é pré-candidato à sucessão estadual.

No campo majoritário, João Azevêdo deve disputar uma vaga no Senado e deixar o governo antes do fim do mandato, transferindo o cargo ao vice. Outra vaga é disputada por nomes como o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (PP), pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

Na oposição, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) deve tentar a reeleição. Ele declarou que não participará de palanques com aliados de Bolsonaro. Veneziano também anunciou apoio a Pedro Cunha Lima, que afirmou que apoiará o senador.

O Instituto AtlasIntel divulgou nesta quarta-feira, 18, uma nova pesquisa sobre as eleições de 2026 no estado do Piauí.

Em relação ao cargo de governador, os cenários avaliados apontam a vitória do atual chefe do Executivo, Rafael Fonteles (PT), ainda no primeiro turno e ampla vantagem em eventual segundo turno. Dois cenários de 1º turno foram apresentados. Em um deles, o atual governador Rafael Fonteles (PT) ganharia ainda no primeiro turno, com 57,7%. A principal adversária, Margarete Coelho (PP), aparece em seguida com 14%, Toni Rodrigues (PL), 7,9%, e Tonny Kerley (Novo), com 3,5%.

A pesquisa entrevistou 1.208 pessoas do Piauí entre os dias 11 e 15 de março de 2026, e tem margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Para o Senado, entre os aliados do governo, o senador Marcelo Castro (MDB) deve buscar a reeleição. Outro nome é o deputado federal Júlio César (PSD). Na oposição, o principal nome é o senador Ciro Nogueira (PP), que pode disputar a reeleição.

Ciro está entre os nomes mencionados nas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em diálogo com jornalistas no Piauí, o senador disse que renunciaria ao mandato caso aparecessem denúncias comprovadas contra ele.

Em Sergipe, o governador Fábio Mitidieri (PSD) já declarou que apoiará a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e comunicou a decisão ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Mitidieri tem proximidade com o ministro Márcio Macêdo (PT).

Apesar disso, há divergências com o senador Rogério Carvalho (PT), que deve disputar a reeleição. Ele foi adversário de Mitidieri em 2022 e ainda não declarou apoio ao governador. Na oposição, o PL discute lançar candidatura própria. Entre os nomes citados estão o vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques, para o governo, além do deputado federal Rodrigo Valadares e do Coronel Rocha para o Senado.

Na base governista, o governador indicou apoio ao ex-deputado André Moura (União Brasil). O senador Alessandro Vieira (MDB), que era cotado para a mesma chapa, ficou fora. Outro nome citado é o ex-prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira (PDT).


                                                      o Povo 

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