
Após ter sido apontada como um dos principais fatores de pressão inflacionária no ano passado, a energia elétrica deve voltar a pesar no bolso do brasileiro em 2026. Projeções de consultorias e bancos indicam que a conta de luz poderá registrar alta entre 5,1% e 7,95%, percentual acima da inflação prevista para o período.
O cenário é influenciado por reservatórios de hidrelétricas em níveis mais baixos, maior uso de usinas termelétricas — que têm custo mais elevado — e aumento dos subsídios embutidos na tarifa. Para 2026, estão previstos R$ 47,8 bilhões em subsídios ao setor elétrico, valor que será pago pelos consumidores e que representa crescimento de 17,7% em relação a 2025.
Em declaração publicada pelo jornal O Globo, o diretor-presidente da consultoria PSR, Luiz Augusto Barroso, detalhou os principais vetores de pressão sobre as tarifas. “Os fatores que atuam para elevar a conta de luz são o custo de acionamento das térmicas, o risco hidrológico pago em contratos com hidrelétricas e o acionamento de bandeiras tarifárias. Todos tendem a se agravar em cenário hidrológico desfavorável e forte demanda, por exemplo, devido ao aumento da temperatura”, afirmou.
Outros especialistas do setor elétrico também apontam que encargos setoriais, recomposição de receitas das distribuidoras e contratos firmados em anos anteriores continuam influenciando o cálculo das tarifas. Mesmo sem uma crise hídrica extrema, os componentes estruturais do sistema mantêm a pressão sobre o valor final pago pelo consumidor.
O aumento da energia elétrica tem efeito direto na inflação, já que impacta custos de produção, comércio e serviços. Para as famílias, especialmente as de menor renda, a elevação da conta de luz compromete parcela significativa do orçamento mensal e exige maior planejamento financeiro.
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