Jurani Clementino escreve crônica sobre o vigário repentista de Várzea Alegre

 




O vigário paroquial de Várzea Alegre, Pe. Cícero da Silva, de 30 anos, foi tema da crônica semanal do jornalista Jurani Clementino, na Rádio Cultura, nesta sexta-feira, 02 de janeiro.

O primeiro assunto de 2026, do varzealegrense, focou nos dois talentos que o vigário natural de Exu, e recém chegado em Várzea Alegre, tem, o sacerdócio e o repente. Gravado, o áudio foi veiculado na tarde desta sexta-feira, 02, no jornal da emissora.

Jurani Clementino começou dizendo que havia recebido, através das redes sociais, vários vídeos onde esse religioso, aparece de batina, no altar da igreja ou no alpendre das casas de Várzea alegre, tocando viola e improvisando versos.

Eu fiquei surpreso. Tomei um susto e obviamente fiquei feliz que Várzea alegre, depois da saída (tão sentida pelos fiéis) de seu último padre, tenha recebido, de presente, esse que além de padre é poeta, violeiro, repentista e ainda reza missa. Olha que presente de Deus! Logo em Várzea alegre desembarca de viola e batina esse padre”, disse.

Jurani se refere a Pe. Jardel, que era vigário paroquial e foi transferido para a paróquia de Lavras da Mangabeira. A transferência dele comoveu a população católica.

E tamanho foram os outros sustos de alegria que soube ainda que o tal padre Cícero não veio de qualquer lugar: é filho da terra do rei do baião, exu, sertão de Pernambuco. Meus amigos, perdoem confessar, mas se eu fosse um homem religioso, diria que só pode ser milagre uma coisa dessas”, relata Jurani na Crônica.

O jornalista e escritor também relata a relação de Pe. Cícero com o povo de Várzea Alegre e da sua missão em nosso município. Para ter uma base na formação da crônica, Jurani disse ao jornalista Ivan Silva que pegou alguns dados de uma matéria produzida para a Rádio Cultura e site Várzea Alegre Agora.com.

A reportagem entrou em contato com o vigário, Pe. Cícero, para comentar a homenagem e aguarda retorno.

Acompanhe a crônica

Hoje vou falar sobre o padre Cícero. Não o Cícero Romão Batista tantas vezes presente nos meus textos, nas minhas crônicas e na minha literatura. Dessa vez, um Cícero de sobrenome comum, um legítimo Silva: Padre Cícero da Silva.

Tenho recebido, através das redes sociais, vários vídeos onde esse religioso, aparece de batina, no altar da igreja ou no alpendre das casas de Várzea alegre, tocando viola e improvisando versos. Eu fiquei surpreso. Tomei um susto e obviamente fiquei feliz que Várzea alegre, depois da saída (tão sentida pelos fiéis) de seu último vigário , (o padre Jardel) tenha recebido, de presente, esse que além de padre é poeta, violeiro, repentista, aboiador e ainda reza missa. Olha que presente de Deus! Logo em Várzea Alegre desembarca de viola e batina esse padre desenrolado.

E tamanho foram os outros sustos de alegria ao saber, ainda, que o tal padre Cícero não veio de qualquer lugar: é filho da terra do Rei do Baião, Exu, sertão de Pernambuco. Meus amigos, perdoem confessar, mas se eu fosse um homem religioso, diria que só pode ser milagre uma coisa dessas.

E as coincidências não param por aí. Embora estivesse no município de Santana do Cariri, o Cícero tem raizes familiares na terra de papai Raimundo. Seu avô paterno era varzealegrense do distrito de calabaça.

O padre é, digamos, recém-consagrado, só tem um ano e meio de sua ordenação. Faz parte dessa turma nova de religiosos (padres, pastores, bispos) que nós chamamos de “nativos digitais” que usam a internet ao seu favor e também exploram seus dons para além da fé. Romperam de certa forma com aquele padrão padre romano do século 15. Sério, inalcançável, sisudo.

Tenho um amigo padre desses modernos. E esse ano nos encontramos, por acaso, nos camarotes do Parque do Povo – no Maior São João do Mundo. De repente, foi brotando padres na festa. Chegou mais um, mais dois, mais três…  e quando dei por mim,  estava rodeado de padre boys na maior festa profana de São João desse planeta – O São João de Campina Grande. Tudo arrochadinho, cabelo bem cortado, barba feita e felizes da vida, dançando e pulando no show da cantora paraibana Elba Ramalho. Era padre de Pernambuco, do Rio Grande do Norte, de Minas Gerais, até do Ceará tinha um. E logo de Iguatu. Pensei: bom, pelo menos no plano espiritual devo estar seguro.

Mas, voltando ao padre Cícero. Ele é violeiro ou o violeiro que é padre? Quem veio primeiro? A quem pertence esse violeiro ou esse padre? Eu apostaria que chegou primeiro a viola, depois o interesse pela religião. E ai, uma coisa necessariamente não exclui a outra. E Cícero usou o que já sabia para dizer: Deus, eu estou aqui e posso te servir.

E Deus, que também já deve ter se modernizado, ordenou, com toda a sua bondade e sabedoria: vai Cícero, leva tua viola, teus versos, teus aboios e tu fé e faz a festa lá pras bandas de Várzea alegre. Finge que tu é Gonzaga e vai prosear com Zé Clementino no bar de Toinha Boa Água. E Cícero, que é um sujeito obediente, veio. Saiu de Exu, descansou em Juazeiro, Crato, conheceu a Chapada do Araripe e chegou a Várzea Alegre.

Desembarcou com a viola numa mão e a batina na outra. Hoje, Cicero circula pelas comunidades rurais e pela sede do município de Várzea alegre. Fazendo missas e improvisando versos. Entre a liberdade do poeta e as amarras dos dogmas e rituais da igreja católica. Mas Cícero não quer nem saber, quer mesmo é cantar e rezar, porque cantando e rezando a gente espanta os pecados e manda embora as tristezas da vida. E Cícero tem muita vida pela frente. É muito jovem. acabou de completar 30 anos. Ainda tem muito chão para orar e poetizar. Ou seria profetizar? Enfim, nem Cícero saberá.

Jurani Clementino

Campina Grande Pb

28 de dezembro de 2025

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