Emendas bilionárias viram trunfo eleitoral e reforçam poder dos deputados na disputa por reeleição

 


Fot: Roque de Sá/Agência Senado          

A corrida pela reeleição em 2026 já começou nos bastidores do Congresso Nacional — e um dos principais combustíveis dessa disputa atende pelo nome de emendas parlamentares impositivas. Ao todo, as emendas individuais e coletivas – apresentadas pelas bancadas, e as emendas de relator, de comissões e PIX somam R$ 60 bilhões.

pela regra aprovada no Orçamento da União, 65% das emendas individuais e coletivas deverão ser liberadas até o dia 3 de julho, justamente no período que antecede o auge da pré-campanha eleitoral. Acompanhe, também, a leitura do jornalista Luzenor de Oliveira sobre a força das emendas parlamentares.

DINHEIRO NO CEARÁ

A expectativa entre os prefeitos do Ceará é que, até o final de junho, os cofres dos municípios sejam irrigados com quase R$ 1 bilhão somente em emendas parlamentares individuais. Os recursos das emendas fortalecem os atuais deputados que brigam pela reeleição.          

Quem já está no mandato sai na frente, pois tem o poder de indicar recursos, inaugurar obras, financiar serviços e reforçar alianças locais.

As emendas individuais funcionam como uma vitrine política. Cada parlamentar decide para onde o dinheiro vai — seja para a saúde, infraestrutura, assistência social ou equipamentos públicos — e passa a colher os dividendos políticos dessa destinação. Quanto mais cedo o recurso chega, maior o impacto na formação da imagem do deputado junto ao eleitorado.

Com a liberação obrigatória de quase dois terços das emendas até julho, os deputados poderão percorrer suas bases entregando obras, ambulâncias, reformas, pavimentações e investimentos, exatamente quando começam a se consolidar as alianças e a disputa por votos.

Especialistas em política e orçamento público avaliam que o modelo cria uma vantagem estrutural para quem já está no cargo, dificultando a renovação do Congresso. “O parlamentar em exercício tem dinheiro, visibilidade e estrutura, enquanto o desafiante depende de doações e da própria militância”, resume um analista de política legislativa.          

Em 2026, esse mecanismo tende a pesar ainda mais. Com o aumento do volume de emendas e a antecipação da liberação, o uso político do Orçamento se torna uma das engrenagens centrais da campanha eleitoral — reforçando a força dos atuais deputados e tornando a disputa por cada cadeira ainda mais desigual.

                                          Ceará Agora 




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