Projeto de anistia deve avançar na Câmara, mas sem contemplar Bolsonaro

 


HUGO Motta, presidente da Câmara dos Deputados, seguirá entendimento de Davi Alcolumbre

HUGO Motta, presidente da Câmara dos Deputados, seguirá entendimento de Davi Alcolumbre / Crédito: Marina Ramos/Câmara dos Deputados


Após meses de movimentação, o projeto de lei de anistia deverá ser pautado na Câmara dos Deputados, mas em uma versão que não contempla o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), bateu o martelo sobre o avanço da pauta, mas o texto preverá anistia apenas para os condenados pelos atos do 8 de janeiro, e não um perdão amplo e irrestrito, como defendia o PL.

A apuração é de João Paulo Biage, correspondente O POVO em Brasília. A decisão de Motta foi tomada após conversas com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que descartou a possibilidade de colocar em votação o projeto da oposição bolsonarista. Há semanas, Alcolumbre mencionava a possibilidade de votar um projeto alternativo relacionado à dosimetria das penas, e não ao perdão de crimes. Ou seja, existe a possibilidade de reduzir o período de prisão de alguns dos envolvidos nos atos do 8 de janeiro. Nessa versão, não há anistia para Bolsonaro, como pretendia o projeto encabeçado pelo PL.

Na quinta-feira, 4, Motta conversou com o líder do PL, o deputado Sóstenes Cavalcante. No diálogo, o presidente da Casa foi categórico ao afirmar que a versão de anistia ampla e irrestrita não prosperaria, por falta de apoio no Congresso. Apesar de ser apoiada por alguns partidos do Centrão, siglas como MDB e PSD rejeitam a proposta, especialmente no Senado.

A versão inicial do texto, divulgada nesta semana, incluía o perdão aos envolvidos nos atos golpistas do dia 8 de janeiro e buscava livrar Bolsonaro da condenação por tentativa de golpe, garantindo também sua elegibilidade.

Motta também consultou ministros do STF. O entendimento foi de que, se a anistia ampla fosse aprovada, o projeto seria judicializado e considerado inconstitucional pelo Supremo. A versão que prevê apenas a diminuição das penas não foi rejeitada pelos ministros.

A Suprema Corte já considerou inconstitucional a anistia por crimes contra a ordem democrática, na decisão que anulou o indulto concedido ao ex-deputado Daniel Silveira pelo então presidente Jair Bolsonaro. Silveira foi condenado, em abril de 2022, pelos crimes de tentativa de impedir o livre exercício dos Poderes e coação no curso do processo. Em 2020 e 2021, por meio de redes sociais, ele incitou a invasão da Corte e sugeriu agressões físicas aos ministros do STF.

Motta vinha freando o avanço da pauta e, publicamente, alegou não haver consenso sobre o tema. O deputado reuniu-se com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tem articulado a aprovação da anistia.

Questionado se conversaram sobre o assunto, Motta respondeu: "O governador tem interesse em que se paute a anistia, isso é público. E nós estamos ouvindo a todos. Estamos ouvindo os líderes que têm interesse e aqueles também que não têm interesse".

A oposição pressionava para que Motta pautasse pelo menos a urgência na próxima semana e realizasse a votação do mérito na semana do dia 15. No entanto, com os novos rumos, Motta e outras lideranças já avaliam possíveis relatores para o projeto. O ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP) indicou o nome de Tião Medeiros (PP-PR) para o cargo, mas ainda não há confirmação.

Isso porque a indicação não foi bem-recebida pelos governistas, que não querem um nome da federação União Progressista no cargo. O grupo prefere alguém do MDB ou do PSD, partidos mais próximos da base governista.


                                                          o povo 

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