A companhia aérea Latam Brasil anunciou, ontem, que pediu recuperação judicial nos Estados Unidos. O grupo Latam já havia solicitado proteção contra falência no país em maio, mas à época deixou de fora as filiais de Argentina, Brasil e Paraguai.
Em seu comunicado, a empresa afirma que “o ambiente externo ainda não dá sinais fortes de recuperação” e que aderir ao Capítulo 11 da lei americana de falências “é a melhor opção para a Latam Airlines Brasil ter acesso às novas fontes de financiamentos”. A norma prevê um processo similar ao da recuperação judicial brasileira. A Latam Brasil disputa a liderança do mercado de aviação doméstica no Brasil com a Gol.

A empresa vai continuar operando no Brasil, de acordo com o comunicado. A empresa negocia com sindicatos uma reestruturação de seu quadro de funcionários para cortar custos. Os débitos listados no pedido inicial de recuperação judicial da holding somam cerca de US$ 18 bilhões (R$ 96,2 bilhões no câmbio atual), o que a empresa disse à época representar 95% de seu passivo total. A operação argentina, que havia ficado de fora do pedido de recuperação judicial inicial, foi encerrada em junho.
A demora para finalizar a negociação de um pacote de socorro com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a lenta retomada da demanda por voos influenciaram a decisão da Latam Brasil de incluir a filial no processo de recuperação judicial do grupo nos Estados Unidos.
“Em maio, imaginávamos que estávamos mais próximos de encontrar um meio-termo que satisfizesse o banco e a Latam para o financiamento do BNDES, e isso até agora não aconteceu. Esperávamos que isso acontecesse no fim de junho, e não se materializou”, afirmou o executivo, Jerome Cadier, à Folha de S.Paulo.
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