CEARÁ quase dobra número de mortos em uma semana, segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado

Pessoas circulando pela Barra do Ceará, um dos bairros com maior letalidade por coronavírus observada em Fortaleza.  (Fotos: Fabio Lima/O POVO)
Pessoas circulando pela Barra do Ceará, um dos bairros com maior letalidade por coronavírus observada em Fortaleza. (Fotos: Fabio Lima/O POVO)
Trinta e oito dias após a primeira infecção pelo novo coronavírus, o Ceará passa de 4 mil casos confirmados da Covid-19. O número de diagnósticos aumentou 82,6% e o de mortes quase dobrou (aumento de 92,7%) em uma semana. O Estado registra 4.116 testes laboratoriais positivos e 239 óbitos em decorrência da doença, conforme dados da plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde (Sesa), atualizado ontem, 22, às 17 horas. Na última atualização do dia 15, há uma semana, eram 2.253 casos e 124 óbitos.

Em 24 horas, houve um acréscimo de 434 diagnósticos e 18 mortes por causa da infecção no Estado. O aumento vertiginoso na disseminação da doença preocupa devido ao impacto que a demanda por atendimento causa no sistema de saúde. De acordo com a Sesa, a ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusivos para tratamento de pacientes com a Covid-19 ontem, 22, às 21 horas, era de 83% em Fortaleza e 69% no Estado.

O Ceará tem 15.191 pacientes com suspeita de infecção. A taxa de letalidade está em 5,8%. O maior número de casos e mortes é registrado em Fortaleza (3.303 e 189, respectivamente). Em seguida vêm os municípios de Caucaia (143), Maracanaú (82), Sobral (69), Aquiraz (43) e Eusébio (41). São 109 municípios com registros da doença, conforme a última atualização.

Do total de confirmações, quase metade (2.087) é de pessoas entre 25 e 49 anos. São 997 diagnósticos positivos de pessoas com mais de 60 anos — considerada a faixa etária de risco. O número corresponde a 24% dos casos. São 2.180 diagnósticos em pacientes do gênero feminino e 1.911 do gênero masculino. Boletim epidemiológico semanal divulgado pela Sesa às 22h de ontem detalha que 39 bebês com menos de um ano foram infectados com o novo coronavírus.

Com relação aos óbitos, 180 foram de pessoas acima de 60 anos, o que representa 75% do total de mortes. Com isso, a taxa de letalidade da Covid-19 entre pessoas com essa faixa de idade é de 18%, segundo a última atualização do IntegraSUS. Dois (0,8%) pacientes que morreram contraíram a doença durante internações hospitalares. A proporção de óbitos de pacientes com alguma comorbidade é de 81,17%. Do total, 60,50% tinha alguma doença cardiovascular crônica. Os dados indica maior incidência de diabetes mellitus (40,76%), pneumopatia crônica (11,39%) e doença neurológica crônica (10,13%) entre os óbitos.

Segundo o boletim semanal divulgado pela Sesa, foram feitos 16.722 exames laboratoriais para o diagnóstico da infecção pela Covid-19 no Ceará. Dos quais 3.315 (19,8%) ainda aguardam resultado. Dos 549 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) — que ocorre quando uma síndrome gripal evolui para a forma grave — por coronavírus hospitalizados, 456 (83%) eram residentes do município de Fortaleza, 187 (34%) evoluíram para cura, 240 (32,6%) evoluíram para óbito e 122 (22,2%) permanecem hospitalizado, de acordo com o informe semanal.

Em Fortaleza, 120 bairros já registram casos confirmados da Covid-19. O número corresponde a 99% dos bairros. Apenas o Moura Brasil não possui confirmação laboratorial da doença, segundo informações de boletim semanal divulgado ontem pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS).
A regional II concentra a maioria dos casos. Se destacam os bairros Meireles (238 casos e 8 mortes), Aldeota (189 casos e 4 mortes) e Cocó (86 casos e 2 mortes), com "aparente expansão" para os bairros Mucuripe, Papicu e áreas contíguas. Com a dispersão dos casos em áreas de maior vulnerabilidade social, será dada "particular atenção" às regiões do Grande Vicente Pinzon (42 casos e 9 mortes), Barra do Ceará (37 e 7 mortes) e Grande Pirambu (12 casos) e a confluência dos bairros Fátima (53 casos e 6 mortes), Joaquim Távora (37 casos e 3 mortes), São João do Tauape (34 casos e 6 mortes) e Alto da Balança (10 casos e 3 mortes).

A situação do bairro José Walter, de acordo com o informe, deve ser investigada isoladamente "pois tem apresentado um número significativo de óbitos, desproporcional ao relativamente baixo registro de casos". São 21 casos e sete mortes no bairro.


o Povo 

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