Ações buscam ajudar quem está em situação de rua no Ceará


Visando alcançar justamente este público, a Defensoria Pública do Estado do Ceará redobrou os trabalhos que já realiza no apoio ao público que vive nas ruas da Capital. Segundo a Supervisora do Núcleo de Direitos Humanos e Ações Coletivas do órgão, Mariana Lobo, os indivíduos que se encontram nessa situação são frágeis. “A população por si só já tem uma série de vulnerabilidades nas perspectivas de saúde, alimentação e habitação”, apontou.

Mariana detalhou que foi realizada uma visita da Defensoria Pública a alguns equipamentos que prestam assistência a essas pessoas. Nessa oportunidade foi constatada a demanda mais urgente que é “a necessidade de ampliação dos espaços para higienização deles que estão nas ruas”, ressaltou. Fora isso, a ampliação da oferta de alimentação e moradia também foram constatadas na visita.

Como resultado dessa visita, a Defensoria recomendou à Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS), algumas providências para ampliar o amparo a essas pessoas. Com isso, dois novos abrigos temporários foram abertos, na quarta-feira (25/03), em caráter emergencial, com total de 150 vagas.
Os abrigos estão localizados na Barra do Ceará (Rua Dr. José Roberto Sales, 830) e no Centro (Rua Solon Pinheiro, 898). Todas as unidades voltadas para atendimento assistencial à população de rua de Fortaleza continuam funcionando, embora com os horários flexibilizados e sem as atividades de aglomeração.

O Refeitório Social mudou a execução de funcionamento e elaborou um esquema de distribuição de quentinhas para evitar que as refeições sejam feitas nas dependências da estrutura. Além disso, por meio do Movimento Supera Fortaleza serão distribuídos, ao todo, 600 refeições para quem não conseguir chegar às unidades de assistência como Centros Pop e Centro de Convivência.
Voluntários
Além das medidas tomadas pelo Prefeitura, pessoas como a integrante da Secretaria Executiva da Pastoral do Povo da Rua, Fernanda Gonçalves, trabalham diretamente com as pessoas em situação de rua. A entidade é vinculada à Igreja Católica, por meio da Arquidiocese de Fortaleza, desde 2002.

A pastoral, segundo Fernanda, atua junto ao, chamado por eles, povo da rua para agir em favor da vida. “Estamos com eles para reconhecer as realidades e desafios da história de cada um. E assim, buscamos juntos a implementação de políticas públicas e a garantia do direitos que eles têm”, explicou.

A operação dos voluntário busca humanizar e dignificar a vida dessas pessoas, e acredita que a realidade desses homens e mulheres será modificada para melhor, caso os seus direitos sejam respeitados. Mas Fernanda expõe que, “mesmo com alguns avanços nas medidas realizadas pelo poder público, ainda existe muito o que melhorar”.
Ela conta que “nunca houveram tantos aluguéis sociais como hoje, onde cerca de 305 foram feitos”, apontou. Mas, em contraponto, “infelizmente presenciamos em Fortaleza, a realidade escandalosa de termos vários prédio desocupados na cidade, e tanta gente sem ter um lugar para repousar a cabeça” e completa, “uma das principais recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de ficar em casa durante o período de pandemia, mas como dizer para os homens, mulheres e crianças que moram nas praças e ruas que eles têm que viver em isolamento social”, questionou.

Fernanda fala também sobre a falta que a pastoral está sentindo a ausência do programa Consultório na Rua. Segundo ela, a legislação diz que o município de Fortaleza deveria ter duas equipes dessa iniciativa na rua. Contudo, “só havia um grupo rodando a cidade, mas com a pandemia, eles pararam de atender o povo da rua”, denunciou. Ela lamentou que “justamente nesse momento de mais necessidade, eles não estão atuando”.
Mesmo com tantas dificuldades, o povo da rua entendeu a gravidade da covid-19. A voluntária exemplifica “que nas entidades onde eles recebem alguma ajuda, buscam não criar aglomeração, não tocam as mão e respeitam as orientações dadas para entrada de pequenos grupos”, e completa dizendo que ainda faltam alguns itens que seriam de extrema ajuda para eles como o álcool em gel.

Para agravar a situação, Mariana aponta que, com os efeitos colaterais do covid-19, a tendência é que haja aumento na quantidade de pessoas em situação de rua. “Pessoas que tinham um pequeno bico para se manter, como flanelinhas, não tem mais uma fonte de renda e acabam indo para rua”, lamentou.

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