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sexta-feira, 9 de julho de 2021

Aquele que vai em nome do Senhor.

 





O retiro espiritual dos sacerdotes da Diocese de Crato, iniciado na segunda-feira, dia 5 de julho, e guiado pelo bispo emérito de Parnaíba-PI, Dom Alfredo Schäffler, no Centro de Expansão Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, em Crato, foi concluído nesta quinta (8) na última missa concelebrada com Dom Gilberto Pastana antes de ele viajar para o Maranhão, onde assumirá a condução da Arquidiocese de São Luís. Os diáconos, membros do Clero, não participaram do retiro, mas se fizeram presentes à cerimônia, desempenhando os seus ministérios.

No centro da liturgia estavam a consagração do Óleo do Crisma e a bênção dos óleos utilizados nos sacramentos, além de rito de renovação das promessas sacerdotais. O mestre de celebrações litúrgicas da Diocese, Padre Antônio Romão (Toninho), explicou que essa missa está prevista para ser rezada em qualquer ocasião, desde que facilite a participação do Clero e dos fiéis. As restrições impostas pela pandemia da Covid-19, no entanto, impedem qualquer aglomeração. Por isso apenas o Clero esteve presente à Catedral. Outra mudança ocorreu no rito de renovação das promessas. A parte em que os padres mencionam a obediência ao bispo, por exemplo, foi suprimida, já que a Diocese está vacante (sem pastor).

Na homilia, Dom Gilberto fez uma retrospectiva de seu ministério episcopal e agradeceu ao Clero e aos leigos pela convivência, tomando por inspiração a Palavra de Deus que está no Evangelho de São Mateus: “Eu estarei com vocês todos os dias” (Cf Mt 28, 20). E especialmente aos padres, exortou a continuarem a evangelização, concretizando o Plano Diocesano de Pastoral e anunciando a boa-nova com a vida transfigurada pela presença de Deus, para que toda a estrutura eclesial esteja sempre em saída, segundo sonho do Papa Francisco. “Neste pouco tempo, tive a alegria de conhecer não só o território, mas as pessoas, as suas vidas, os seus sonhos, as suas esperanças. Demos graças a Deus por tudo. Obrigado, Igreja Diocesana de Crato!”. Ao fim da missa, ajoelhado diante da Imagem de Nossa Senhora da Penha do Altar-mor, recitou a oração que compôs especialmente para esta ocasião. Uma Imagem réplica lhe foi ofertada como sinal de gratidão e intercessão dos diocesanos para a missão que se inicia no próximo dia 18 de julho.

Legado

Em cinco anos de evangelização, Dom Gilberto fez mais de 1,4 mil visitas nas paróquias e comunidades, percorreu mais de 150 mil quilômetros e realizou mais de 20 mil crismas desde o início de seu ministério episcopal. Outra ação marcante foi a revitalização e a capacitação dos conselhos pastorais paroquiais, comunitários e econômicos (fazia questão de ir às paróquias ministrar formação). Além disso, visitou todos os padres diocesanos e religiosos (no início do ministério como bispo coadjutor), promoveu encontro com os prefeitos das 32 cidades que compõem a região do Cariri para “conhecer e refletir as propostas de trabalho de cada gestão para o quadriênio 2016 – 2019”, ordenou 10 padres e 3 diáconos transitórios; fez visitas pastorais a 9 paróquias da Diocese, a duas cidades romeiras (Maceió-AL e Canindé-CE), às instituições de saúde, de educação, os ambientes prisionais e os moradores de rua; incentivou a realização de Círculos bíblicos promovidos nos ranchos dos romeiros do Padre Cícero Romão, dentre outras atividades.

Assista ao vídeo em que Dom Gilberto expressa gratidão a Deus e ao povo

O reconhecimento dessa “capacidade pastoral” segundo Padre José Vicente Pinto – que exerceu a função de vigário geral durante o ministério de Dom Gilberto – é motivo de alegria para toda a Diocese. “Não esperávamos uma notícia desse tipo tão cedo. Ao mesmo tempo, nós nos alegramos pelo reconhecimento dos méritos, dos valores e da capacidade pastoral de Dom Gilberto nomeado para uma arquidiocese”, disse.

O chanceler do bispado, Padre Rocildo Alves Lima, é da mesma opinião: “É louvável e respeitável, revelando a capacidade, dedicação, entrega e confiança que está sendo alimentada para lhe levar até uma arquidiocese, para a missão de arcebispo. Estarei orando em duas direções: para que tudo corra bem nessa transferência e em sua nova missão, e também à nossa Diocese de Crato, pedindo luzes e graças do Espírito Santo para abençoar o novo bispo que virá”.

O representante dos presbíteros, Padre Vaudênio Nergino, lamentou a saída, mas falou que, no fim, ganha a Igreja do Brasil. “É uma perda para a diocese, mas um ganho para a Igreja. Nosso agradecimento por este tempo em que esteve conosco, por tudo que nos ensinou, pelas orientações, pela aprendizagem que tivemos através da ação pastoral dele. Vamos rezar, pedir a Deus que o Espírito Santo ilumine aquele que o irá suceder na caminhada diocesana”.

Por causa da pandemia, os fiéis e os representantes das pastorais, movimentos, serviços, grupos, organismos e instituições da Igreja de Crato não foram à Igreja Catedral; acompanharam a cerimônia de casa. Angelita Maciel, por exemplo, membro da coordenação diocesana de Pastoral, confessou ter se assustado à primeira vista com a notícia da transferência, mas sublinhou que a missão é parte fundamental na vida de quem se dispõe a servir ao Reino de Deus. “Num primeiro momento, a notícia impacta. Como missionários, a gente compreende e reza para que esse novo pastoreio de Dom Gilberto, também em terras nordestinas, agora no Maranhão, tenha o mesmo êxito que teve aqui na Diocese de Crato”.

A coordenadora geral da Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus, comunidade religiosa fundada pelo primeiro bispo de Crato, Dom Quintino Rodrigues, fez uma retrospectiva da trajetória de Dom Gilberto junto às Irmãs, agradecendo a ele este tempo de convivência e desejando-lhe fecunda missão na Igreja de Deus que está na capital maranhense.

“Com o coração saudoso e cheio de gratidão, reconhecemos a presença de Dom Gilberto junto a nós, religiosas Filhas de Santa Teresa de Jesus. Esse bom pastor que nos acompanhou na caminhada e em momentos importantes, como a presidência e eleição da superiora geral, em 2018. Presente em celebrações festivas do Instituto e da marcante páscoa definitiva de Madre Feitosa. A Arquidiocese de São Luís está de parabéns, e nós aqui estamos rezando por Dom Gilberto, já sentindo a saudade. Agradecemos esses poucos anos entre nós, e podemos dizer: Bendito aquele que vai em nome do Senhor!”.

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Para saber mais

A Missa Crismal (do Crisma, dos Santos Óleos ou da Unidade) é “a manifestação mais importante da Igreja local”, segundo o Cerimonial dos Bispos, porque “manifesta não somente a unidade, mas também a diversidade dos ministérios ao redor do bispo e da Sagrada Eucaristia”. Este mesmo cerimonial sublinha “a plena e ativa participação de todo o povo santo de Deus”, que deverá ser convocado “em maior número possível”.

Esta forma de Missa é geralmente rezada nas maiores solenidades do ano litúrgico, como a Quinta-feira Santa, mas também pode ser transferida para outras datas, como as celebrações do padroeiro da diocese ou mesmo no aniversário do Bispo.

 

Por Patrícia Mirelly com fotos de Mychelle Santos