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quinta-feira, 20 de maio de 2021

Após chegada da variante indiana de Covid-19 no país, cidades do Cariri entram em alerta.

 



























                                                       foto Ueslei Marcelino 

O governo do Maranhão confirmou os primeiros casos de Covid-19 provocados pela variante que emergiu na Índia. Ela foi identificada em tripulantes do navio Mv Shangon Da Zhi, ancorado no estado, que viajou da África do Sul até São Luís. Com isto, a Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (Sesa), em parceria com a Fiocruz/CE, divulgou na sexta-feira passada (14) uma nota técnica, alertando sobre o risco acerca da Variante de Preocupação (VOC) B.1.617 de Covid-19. O alerta foi endereçado a doze municípios no Estado, dentre eles Brejo Santo e Antonina do Norte.

Segundo os dados analisados da nova variantes, esta já chegou a diversos países do globo, tendo Maranhão e Piauí como as principais portas de entrada da doença no Brasil. O governo maranhense informou que, dos 15 resultados de passageiros que testaram positivo para o novo coronavírus, foi possível fazer o estudo genômico para a variante em de seis. Os demais tinham quantidade de vírus muito baixa. “Em todas as seis amostras tivemos resultado positivo para a B.1.617.2, uma das linhagens da variante da Índia”, anunciou Carlos Lula, secretário de Saúde do Maranhão e presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

O secretário destacou ainda que a população está isolada e o navio não tem permissão para atracar em solo maranhense. Segundo Carlos Lula, pelo menos três pacientes, no entanto, saíram do navio para serem atendidos. Cerca de 100 pessoas que tiveram contato com eles estão sendo rastreadas e serão isoladas e testadas. No último domingo (16), o governo do Maranhão informou que fora notificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre um paciente indiano de 54 anos, um dos 24 passageiros do navio, que deu entrarada em um hospital da rede privada em São Luís com a doença na semana passada.


Conforme a Sesa, no dia 20 de janeiro de 2021, deu início ao monitoramento de viajantes, contactantes, casos graves ou óbitos sem comorbidade aparente, sintomas suspeitos de Covid-19 após 14 dias da segunda dose da vacina e casos suspeitos de reinfecção. Até o dia 12 de maio de 2021, foram comunicados 823 casos suspeitos de coronavírus por contaminação de VOC. Das amostras respiratórias sequenciadas, houve a confirmação de 40 casos da VOC P.1 nos municípios de Fortaleza, Caucaia, Icó, Brejo Santo, Moraújo, Pentecoste, Santa Quitéria, Limoeiro do Norte, Meruoca, Ipu, São Gonçalo do Amarante e Antonina do Norte, analisados por meio de sequenciamento total.

O governador Camilo Santana, bem como autoridades em Saúde no Ceará demonstraram preocupação com a alta transmissibilidade e neutralização da vacina contra Covid-19 por parte desta variante, visto que a Índia e alguns países vizinhos viram um aumento acentuado no número de casos e mortes relatados pela doença. Isso tem sido associado a uma proporção crescente de vírus sequenciados pertencentes às linhagens B.1.617.1 e B.1.617.2. O Reino Unido também viu um rápido aumento na detecção da linhagem B.1.617.1 e, em maior medida, B.1.617.2, associada a viagens para a Índia e posterior transmissão pela comunidade

A Sesa, no entando, ainda não confirmou se há ou não casos confirmados no Estado, mas recomenda que as medidas como o cumprimento do isolamento social e a vacinação possam tardar a propagação do vírus pelo território cearense. A pasta também aponta a necessidade de rastreio de contatos direcionados e o isolamento de casos suspeitos e confirmados da variante, bem como alertar as pessoas provenientes destas áreas  de contágio, com uma incidência significativamente mais elevada da variante, para a necessidade de cumprir com quarentena, ser testado e auto-isolado, além de recomendar que se evitem todas as viagens não essenciais, em particular para áreas com uma incidência significativamente mais elevada da variante.

Para o professor Edson Teixeira, do Departamento de Patologia e Medicina Legal da Faculdade de Medicina e do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia de Recursos Naturais da Universidade Federal do Ceará (UFC), existem casos suspeitos no Maranhão e já foi confirmado casos na Argentina. “Como nossa capacidade de identificar essas variantes é muito pequena e para se ter ideia a gente faz uma percentagem muito diminuta dos casos do genoma é bem possível que essa variante esteja espalhada em vários estados do nosso país”, avalia.

Com informações do jornal O Globo e Sesa/CE