sexta-feira, 8 de maio de 2020

Ciclista caririense cumpre jornada de bike ao ‘fim do mundo’, mas fica isolado na Argentina

Uma jornada digna do Guinness Book, o livro dos recordes, foi feita por um caririense que se dispôs a ir de bicicleta até o “fim do mundo”. Saulo Sampson, natural do Crato, fez uma jornada saindo do Cariri até a cidade de Ushuaia, na Argentina, no extremo sul do continente sul-americano, apenas de bike. Dentre tantas aventuras, ele só não contava com a pandemia do Covid-19, que o fez ficar isolado em uma espécie de acampamento no país dos hermanos, durante um tempo, até poder voltar para casa com segurança.

 Ciclista caririense cumpre jornada de bike ao ‘fim do mundo’, mas fica isolado na Argentina
 FOTO > ARQUIVO PESSOAL


Saulo antes conta que a jornada começou ainda em 2019, mais precisamente no dia 4 de setembro. Munido com poucos suprimentos, levou apenas o essencial, como documentos e dinheiro, equipamentos de manutenção da bicicleta e um notebook para edição dos vídeos que fez durante todo o percurso e que postou em seu canal no YouTube. Formado em game design, ele já trabalhava antes produzindo vídeos para eventos diversos, o que levou a ter esta experiência, registrando todo o trajeto.

Ele destaca que alguns dos lugares mais interessantes e também famosos pelo ciclo-turismo durante o seu percurso foram a Chapada Diamantina, na Bahia, bem como as cidades no entorno; Ouro Preto em Minas Gerais, onde pode conhecer a Estrada Real que na época das minerações levava o ouro até o litoral, para ser levado pelas embarcações até Portugal. Chegando em Paraty, no Rio de Janeiro, seguiu a jornada pela costa litorânea até chegar a Buenos Aires, na Argentina, indo até a região Patagônia.

Riscos no percurso

O ciclista afirma que muitos o perguntaram se durante o percurso, boa parte solitário, ele não havia ficado com medo de andar pelas estradas ou mesmo passado por situações de perigo e risco de vida. Saulo conta que, por sorte, não ocorreu nada perigoso. “O medo antes de sair era muito grande por tudo isso, mas quando você sai se sente bem, se sente seguro. Não fui abordado por ninguém e não aconteceu nada nesse sentido”, conta.

Ele diz que o único “perrengue” que passou foi em relação ao pneu de sua bicicleta, o que segundo conta deu bastante trabalho, furando muito durante o caminho. “Tive que remendar diversas vezes, justamente pelas condições da estrada”.

Isolamento e volta ao Brasil


Saulo conta também que chegou a cidade argentina de El Bolsón no dia 17 de março deste ano, e que após este dia, com o agravamento da situação pandêmica do novo coronavírus, não conseguiu mais sair de sua localidade, devido o fechamento de todas as fronteiras entre os estados no país.
O local em que ficou durante os dias de isolamento em El Bolsón, era um camping de ciclistas e turistas de vários outros países que estavam na Argentina. Depois de alguns dias, ele conta que a Embaixada do Brasil na Argentina mandou um e-mail, informando que iriam custear dois ônibus para repatriar brasileiros, levando-os até a cidade de Uruguaiana, para que estes seguissem rumo até suas casas, cumprindo o isolamento social.

O ciclista conseguiu completar sua jornada e a volta para casa, mesmo que de avião, chegando ao Crato no último dia 17 de abril. De lá para cá ele conta que mantém o isolamento social e que ainda rememora as aventuras do percurso que fez, o que segundo ele parece coisa de filme.


Badalo 

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